twitter

Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (100) A Imagem Peregrina por terras da América do Sul (Brasil)

Que alegria chegar à minha centésima crónica em que partilho com os meus leitores tanta informação baseada na obra que sempre tenho referido no final de cada crónica, mas também com o recurso a outras eventuais fontes que me têm ajudado a complementar tudo o que vou escrevendo sobre a devoção a Nossa Senhora de Fátima desde que foi anunciada como a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, passando por tantas revelações até à Mensagem de Fátima que abarca a nossa contemporaneidade, sobretudo naquilo que os nossos olhos vão presenciando no local das Aparições na Cova da Iria, em 1917.

Completaram-se, no passado dia 3 do mês de junho, 70 anos em que a Imagem Peregrina partiu de Lisboa a bordo do “Alcântara”(1952) para Terras de Santa Cruz onde o nosso navegador, Pedro Álvares Cabral, em 1500, descobriu quando ia a caminho da Índia, pensando, inicialmente, tratar-se de uma grande ilha que denominou de “Vera Cruz” (Verdadeira Cruz), mais tarde chamada, como todos sabemos, Brasil, onde os portugueses alicerçaram os valores cristãos. Os nossos navegadores, além da Cruz de Cristo, nunca esqueceram uma ou várias imagens da Virgem Santa Maria nas suas viagens marítimas, levando a Sua devoção e o Seu Culto a “todos os Continentes e a todos os povos.” «Não estará precisamente nesta devoção à Mãe de Deus o segredo dos triunfos da evangelização de Portugal de outrora? É que, se Cristo Nosso Senhor é o pensamento que atrai o homem, Maria é o coração que o arrasta.»

O Brasil é um país, ainda hoje, muito católico e com um grande fervor a Nossa Senhora de Fátima. Por todo o lado, aparecem templos, ermidas e monumentos dedicados à Virgem da Cova da Iria que começaram a surgir logo que as Aparições se foram tornando conhecidas. A semente lançada pelos nossos antepassados, sempre fiéis e devotos de Nossa Senhora, germinou com toda força na “Terra de Santa Cruz” que poderia também apelidar-se de “Terra de Santa Maria.”

Muito antes desta peregrinação ao Brasil, já o povo ansiava a presença da Mãe de Deus que sempre amou. Foram 18 meses de grande entusiasmo e fervor religioso/mariano. Todas as localidades, por onde passou a Divinal Imagem, as gentes brasileiras vivenciaram a presença da sua tão querida Mãe do Céu.

Diz-nos o Cónego Azevedo, testemunho extraordinário de todas estas peregrinações, que «as bênçãos e graças que Nossa Senhora aí derramou são inumeráveis. Seriam precisos volumes para arquivar tantas maravilhas, tantos prodígios, verdadeira revolução espiritual à vista duma singela Imagem.

Pode dizer-se que no Brasil ninguém faltou a associar-se às manifestações em honra da Mãe de Deus, desde o primeiro Magistrado da Nação, autoridades religiosas, altos dignitários do Senado, das Universidades, Exército, Marinha e Aviação até às intermináveis massas populares, confundindo-se tudo num coro de louvores e homenagem à Celeste Caminheira em quem todos depositavam a maior confiança, não se poupando a nada para testemunharem ao mundo inteiro que o Brasil também é feudo de Nossa Senhora a quem tanto ama sob a invocação de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira das Terras de Santa Cruz…»

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História; direção artística de Luís Reis Santos, historiador de arte e diretor do Museu Machado de Castro, Coimbra; realização e propriedade de Augusto Dias Arnaut e Gabriel Ferreira Marques, composição e impressão - Companhia Editora do Minho, Barcelos, editada pela Ocidental Editora, Porto, em 1953 (Papel fabricado especialmente pela Companhia do Papel do Prado em Tomar)


Autor: Salvador Sousa
DM

DM

7 agosto 2022