twitter

Fanatismos

Temo todo o tipo de fanatismos, mas os que mais me assustam são os fanatismos nacionalistas e os religiosos; e, sobretudo, porque conduzem ao radicalismo de ideias que acabam na supressão das liberdades, na repressão, nos extremismos e na barbárie.

Ao longo da história das nações sempre existiram fanatismos nacionalistas e religiosos, exercitando o poder totalitário e, consequentemente a ditadura sobre povos e nações; basta lembrarmo-nos dos campos de concentração nazis, nos gulags comunistas, da inquisição e dos hospitais psiquiátricos e cadeias fascistas, onde pontificaram personagens macabras como Hitler, Estaline, Mao Tsé-Tung ou Mussolini.

E, em pleno século XXI, a recente invasão da Ucrânia pela Rússia não passa de um ato de fanatismo político intolerável, porque prepotente, estalinista e hitleriano; e que encerra uma lógica de vingança e repressão na tentativa de reconstrução do antigo império russo que habita a cabeça mórbida do déspota Vladimir Putin – um ditador que todo o mundo democrático condena e rejeita.

Assim, torna-se evidente que o fanatismo nacionalista sempre conduz ao radicalismo de ideias e ao extremismo de ações; porque, na prática, um fanático afirma-se acrítico e surdo, pois não ouve o que lhe dizem e muito menos aceita as ideias se forem contrárias ao que pensa e não raciocina a não ser em função do seu ideário e do móbil das ações que pretende pôr em marcha.

Igualmente nos tempos que atravessamos o fanatismo religioso tem avassalado o mundo, mormente o islâmico, e isto porque conduz a atos irracionais que espoletam a violência, o ódio e a morte, como tem acontecido em muitos estados árabes com lutas fratricidas entre seguidores da mesma crença religiosa.

Pois bem, os movimentos radicais, populistas e extremistas triplicaram nas últimas duas décadas no Mundo e, concretamente, na Europa têm crescido a um ritmo preocupante; e se pensarmos que tal vai acontecendo em países com longa e sólida vivência democrática, o que pode abalar e pôr em causa os regimes democráticos mais frágeis e volúveis, como o nosso.

Mas, então, porque nascem e tanto se expandem estes movimentos de extrema-esquerda e de extrema-direita? Obviamente porque o descrédito e a ineficácia dos regimes democráticos se têm evidenciado, quer nos atos de muitos políticos, quer no incumprimento dos princípios, objetivos e valores da Democracia.

Por exemplo, na nossa ainda jovem democracia o comportamento de alguns governantes, deputados, dirigentes políticos, banqueiros e empresários tem ajudado ao aparecimento e recrudescimento destes movimentos extremistas, radicais e populistas; e como, em tempos, foi notícia na comunicação social a realização de viagens oficiais pagas a dobrar, falsas presenças no parlamento de deputados ausentes, subsídios de residência pagos a moradores não existentes, viagens de recreio pagas a membros do governo por empresas privadas e atos de corrupção escandalosos vindos de governantes, juízes, dirigentes políticos, banqueiros, etc. etc. etc, tudo isto é, sem dúvida, um forte incentivo a tais movimentos antidemocráticos.

Pois bem, aos deputados exige-se que cumpram as leis que eles próprios fazem e aprovam, como aos tribunais que julguem e punam severamente os que as infringem ou ignoram, sejam governantes ou cidadãos comuns; e, sobretudo, que todos os cidadãos com responsabilidades públicas e governativas sejam exemplo de honestidade intelectual, independência de juízo, nobreza de caráter, firmeza e clareza de decisões, coerência de princípios e valores e justeza da verdade ideológica.

Agora, teremos de aprender que é fundamental saber viver e praticar a democracia; porque se nos perguntam se a democracia é boa todos ou quase todos diremos que sim, – nem que seja com a reserva de Sir Winston Churchill de que a democracia é o sistema político menos mau entre os que existem; todavia, o mais importante mesmo é sabermos todos conviver serenamente, respeitando as diferenças e aceitando que todas as ideologias, quer de esquerda, quer de direita têm direito a existir em democracia, desde que se pratique o respeito mútuo e se faça o possível por impor as suas ideias sem violências nem agressões de qualquer ordem, dizendo sempre não aos extremismos, populismos e radicalismos.

Então, até de hoje a oito.


Autor: Dinis Salgado
DM

DM

23 março 2022