twitter

Exemplo de simplicidade e amor ao próximo

Hoje, infelizmente, estes objetivos contextuais não vão fazendo caminho, independentemente das ideologias, dos princípios intrínsecos ao nosso ser e à religião que nos orienta, dentro de uma abrangência ecuménica saudável e filosoficamente responsável. Ainda bem que há e houve figuras incontornáveis, ao longo da nossa vida, devendo ser realçadas e reconhecidas, dentro de uma sociedade mais justa e responsável a diversos níveis, cidadãos que merecem a nossa admiração, pois são as estrelas que nos iluminam no caminho da vida terrena. Faleceu em 12 de setembro de 2017 um Grande Pastor da Igreja que, pela sua simplicidade, serenidade e amor ao próximo, deixou uma marca inconfundível por onde passou e foi a figura viva de Jesus Cristo no seu percurso de se dar, amar, acompanhar e viver com os mais desfavorecidos e fragilizados, nos momentos bons e maus da sua existência. D. António Francisco dos Santos, bispo auxiliar de Braga, bispo de Aveiro e do Porto, de onde partiu para a companhia de sua Mãe Maria Santíssima, que tanto venerava e imitava no seu dia a dia. Com espírito franco, aberto ao diálogo e leal, soube sempre, com a sua serenidade, sorriso cativante e permanente, quer para os cidadãos mais fragilizados ou necessitados, quer para com os cidadãos ou entidades oficiais mais representativas, não deixar transparecer qualquer animosidade, mostrando que é preciso sofrer servindo com afeto, carinho e sentido de perdão incomensurável, próprios dos Homens que personificam Cristo na Terra. Tive o privilégio de trabalhar com ele, quando bispo auxiliar da Diocese de Braga, na elaboração de pareceres para a resolução de assuntos relacionados com os bens patrimoniais da Diocese, o que permitiu conhecê-lo bem, e com quem muito aprendi e depois prosseguimos com a nossa estima e amizade ao longo de anos. Não é possível esquecer o carinho e amor que dedicou às Irmãs Dominicanas, quando bispo de Aveiro, povo que o viu partir para o Porto com enorme elevação e saudade, embora sabendo que Deus traçou mais um caminho para continuar a sua missão, em grandeza de espírito, comunhão e fraternidade, numa Diocese com problemas complexos, mas que soube ultrapassar ou encaminhar no seu lema de servir sorrindo e perdoando seguindo o exemplo de Cristo. É de salientar o amor à sua mãe, que nas suas condições precárias de saúde há vários anos, ele visitava, quase semanalmente, para levar o amor filial e viver com ela a grandeza do seu testemunho, que marcou parte da sua vida, sendo assim um exemplo em Igreja Viva. Muito obrigado D. António Francisco pelo exemplo legado e que serviu para se voltar aos princípios e valores e à esperança, numa sociedade em mudança acelerada, permitindo que os responsáveis políticos e entidades nacionais e internacionais contribuam, com as suas lideranças, para atenuar tensões e evitar conflitos imprevisíveis, que podem trazer consequências para a Humanidade.

Autor: Bernardo Reis
DM

DM

12 outubro 2017