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Este país não é para velhos

Reza a história que, há sensivelmente 900 anos, com a batalha de S. Mamede, se iniciou a definição do território que é hoje Portugal.

Desde então, atravessaram-se séculos, carregados de histórias, de sucessos e insucessos, que moldaram as suas gentes até aos dias de hoje e ao Portugal que conhecemos.

Hoje, com a ajuda dos Censos, as maiores operações estatísticas realizadas em qualquer país do mundo e que se destinam a obter informação sobre toda a população residente, as famílias e o parque habitacional, ficamos a conhecê-las ainda melhor.

Realizado o último Censo no ano 2021, ainda que com resultados preliminares, ficou já evidente que se agravou o fenómeno de envelhecimento da população, com o aumento expressivo da população idosa e a diminuição da população jovem.

Por definição, o envelhecimento da população caracteriza-se por uma alteração da estrutura demográfica em que a proporção da população com 60 e mais anos é cada vez maior.

Segundo as Nações Unidas, (Ageing Report EU), em 2050, em Portugal o número de idosos (65 e mais anos) passará de 2,2 para 3,0 milhões enquanto o número de jovens diminuirá de 1,4 para cerca de 1,0 milhões.

Por seu turno, a população em idade ativa (15 a 64 anos) diminuirá de 6,6 para 4,2 milhões de pessoas.

Na realidade somos já um dos países da União Europeia com maior percentagem de idosos.

Não obstante a boa notícia de a esperança média de vida ter aumentado, o envelhecimento populacional tornar-se-á numa das transformações sociais mais significativas do século XXI, colocando enormes desafios aos decisores políticos.

Serão transformações com impactos transversais a todos os setores da sociedade – em matéria de emprego, condições de trabalho, padrões de vida (procura de bens e serviços como a habitação ou transportes) e segurança social mas, também, em matéria financeira (a poupança, o consumo, o crescimento económico, o stock de ativos e o saldo orçamental) ou, ainda, nas estruturas familiares e laços inter geracionais.

Para o Serviço Nacional de Saúde, o envelhecimento da população é já hoje, objectivamente, um dos seus maiores desafios.

Se conseguir responder aos desafios do envelhecimento, conseguirá melhor responder a tudo o resto.

Porém, porque provavelmente não há comparativo histórico de como lidar com este acentuado envelhecimento das sociedades, as respostas terão obrigatoriamente de ser novas.

Novas políticas públicas, sustentadas no desenvolvimento da tecnologia e da medicina, e com especial enfoque em questões como o envelhecimento ativo, a independência física, económica e social dos mais idosos, assim como uma aposta na saúde centrada na prevenção e diagnóstico precoce, poderão fazer parte das soluções.

Sublinha-se ainda a imperiosa e indispensável necessidade da crescente integração de cuidados de saúde. E, por seu turno, de se fomentarem as necessárias respostas sociais, nomeadamente no capítulo da proximidade.

Pensemos no país que queremos ter, no país que queremos construir para os nossos mais velhos. Aquele que, de certa maneira também, ajudaremos a construir para nós daqui a mais ou menos tempo.

PS: O autor opta por escrever segundo o acordo ortográfico precedente.

Post Scriptum: Assinala-se e aplaude-se a condecoração como Membro Honorário da antiga Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, atribuída pelo Presidente da República, ao Serviço Nacional de Saúde pelos “actos e serviços excepcionais prestados, em particular durante a pandemia a Portugal, aos portugueses e a outros cidadãos” e pela “abnegação e sacrifício” dos seus profissionais de saúde. Exorta-se, contudo, à continuidade e extensão dessa mesma prestação, em período pós pandémico. A bem dos portugueses e da sua saúde.


Autor: Mário Peixoto
DM

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5 março 2022