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ESTA BRAGA QUE EU AMO

Mais de metade da minha vida passeia-a nesta cidade que amo, Braga, onde “ aterrei” há mais de 40 anos e fez-me sentir que sou bracarense. Adoptei a cidade como minha. Olho-a com ternura e respeito (é muito mais velha do que eu e, como fui educado a respeitar os velhos …). Alegro-me com o seu progresso, com o seu património e a sua beleza. Entristece-me, e muito, vê-la, em tantos cantos e recantos, abandonada e votada à ruína.

Quando passo junto ao palácio do Raio, por exemplo, fico maravilhado com aquela beleza monumental e com o carinho e maestria com que foi recuperado. E dou graças a Deus por ainda haver homens que cuidam do que é nosso como se fosse um bem próprio.

O mesmo quando entro na igreja de Santa Cruz e me deixo fascinar por aquela talha barroca e como foi limpa e tratada recentemente. Hoje é um esplendor da madeira entalhada e dourada. Continuo a dar graças a Deus por haver homens que cuidam do que é nosso como se fosse um bem próprio.

Passo nas “ Convertidas” e quase choro por ver o estado deplorável e vergonhoso em que o deixaram cair (de propósito?). E havia projectos sócio-culturais para aquele monumento único no continente português. E houve promessa de doação. E houve data para essa doação … mas a vergonha perdeu-se nos meandros da baixa política ou de políticos sem carácter ou sem sensibilidade ( estou a ser irónico ). Havia projecto para as “ Convertidas” não havia era políticos com palavra! Sim, houve políticos que fizeram promessas que eu recebi feliz! Havia, havia projectos e houve a promessa pública para que eles se concretizassem! Querem que se acredite nestes homens que deveriam ser impolutos e referências em que puséssemos os olhos, Mas não são nem neles quero pôr os olhos.

Outro exemplo deplorável que me entristece de cada vez que passo em frente ao monumento a Santa Maria de Braga, na rotunda no topo da Av. Porfírio da Silva, que um grupo corajoso de homens e mulheres deitaram mãos “contra ventos e marés” como sói dizer-se, assinalando o 9º centenário da nossa Catedral Primacial. Este monumento tem a rodeá-lo suportes dos brasões dos concelhos da Arquidiocese de Braga que eram em bronze mas que agora estão vazios e, assim, perderam o sentido para que foram feitos. Alguns destes brasões foram roubados e nunca se conheceram os nomes dos patifes que perpetraram um acto tão vil contra o património colectivo. Outros, segundo me informaram, estarão guardados não se sabe por quem e onde. Desfeia um belo monumento que a cidade possui. O seu estado de incompletude ofende quem tanto deu para que aquele pudesse ser admirado por bracarenses e forasteiros. Recordo, entre estes, o Prelado da altura, o Senhor Dom Eurico, o Cón. Melo, a D. Josefina Vieira, o senhor Francisco Vidal. Uma tristeza! Que desagradecimento para o autor do belíssimo projecto, o Arquitecto Luís Machado e para o grande Homem a quem Braga tanto deve e que continua a ignorar, o Cón. Fernando Monteiro, autor da ideia! ( agradeço ao Sr. Maurício Couto algumas das informações que me permitiram escrever este desabafo). Por que razão a Câmara Municipal de Braga não recoloca os ditos brasões que poderão não ser em bronze para não serem cobiçados pelos “ amigos o alheio” mas noutro material digno com uma rocha com boa qualidade e dignidade? Aquele monumento, hoje, está ao “ serviço” do público. E se uns podem ali rezar, outros poderão contemplar uma excelente obra de arte. Creio que diante deste monumento ninguém fica indiferente. Aqui deixo o repto a quem de direito, sobretudo em tempo, que todos almejamos, Braga seja declarada a próxima Capital da Cultura. Não se esqueça que aquele monumento é uma obra de cultura e não como aqueles “ calhaus” disformes do centro da cidade.

E para terminar esta minha “ declaração de amor” por Braga, não posso, não devo nem quero deixar de salientar como andam bem tratados os jardins. Dá gosto, e muito, passear nos, poucos espaços ajardinados de Braga. Até o antigamente abandonado Campo Novo está sempre uma maravilha e constantemente limpo dos grafitis que sujam a parede que suporta a fonte e que, agora, pode ombrear com o fotografadíssimo Jardim de Santa Bárbara, uma joia da jardinagem portuguesa.

Sim, amo esta Braga carregada de história, de feitos que a glorificam. Também de episódios menos louváveis. Tudo faz parte desta velha urbe. E é assim que a amo. Que a amo e ando, por isso, atento às gestões políticas que a têm atravessado. Às vezes parece que ando distraído desta minha cidade, mas não! Amo-o muito para a “ desperceber” e não (des)valorizar o que os administradores políticos, que entram e saem com, também, o meu voto. Não ando distraído.

Esta Braga que eu amo merece tudo de bom e belo! E exige políticos que trabalhem mais e melhor pela “ polis” como um todo e não só em partes. A bem da “ res publica”.

Há mais vida para além do futebol!


Autor: Carlos Aguiar Gomes
DM

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2 junho 2022