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Entre o pessimismo e o otimismo

Recentemente, um empresário admitiu publicamente que o preço da eletricidade ia sofrer grandes aumentos e creio ter afirmado na ordem dos 40%. O Governo veio logo pôr ordem na casa e garantir que nunca seriam esses valores, mas a verdade é que não terá afirmado creio eu, que não íamos ter aumentos. Estamos no politicamente correto, quando agora se diz com todas as letras que eletricidade e gás vão subir. A questão não é semântica mas política, afinal o tal responsável por uma empresa de eletricidade tinha carradas de razão e o governo limitou-se a dizer que não seriam 40% mas talvez menos um bocadinho. Quem hoje fizer contas à vida, verifica uma subida de custos desde do início do ano que nenhum salário mínimo ou médio tem capacidade de suportar. O pão, a fruta, os géneros, fazem temer o pior nos próximos meses. Se os combustíveis andam constantemente no sobe e desce, e a inflação se aproxima rapidamente dos 10%, que medidas pode um governo planear? A este propósito refiro mais uma vez, os alertas de Medina Carreira no início da primeira década deste século, "as tentadoras promessas de ampla expansão quantitativa do Estado social português, à margem de um imediato e acelerado crescimento económico, não passam de um embuste dos que recusam conhecer a estagnação económica de Portugal e a fragilidade financeira do seu Estado. À luz das conclusões que desta análise resultam, é seguro que: Sem uma vigorosa aceleração do crescimento económico – da ordem dos 4 ou 5% anuais, e continuadamente – não haverá sustentação quantitativa para melhores políticas sociais, dificultada também pelo envelhecimento demográfico; ainda por razões financeiras, é urgente definir, preparar e executar uma ação global, realista, competente e persistente de combate à evasão e à fraude, que nos permita atingir, dentro de poucos anos, um nível de fiscalidade próximo do da Grécia, isto é, da ordem dos 38% do PIB (atualmente 35%); – a maior fraude política e financeira praticada em Portugal consistiu em atribuir cada vez mais meios a todos, sem cuidar da organização, do rigor e da responsabilidade, para satisfazer apenas as aparências de boa governação e as sondagens de opinião, e para alimentar os apetites vorazes das corporações e das clientelas. Assim se tem adiado, criminosamente, a solução dos reais problemas portugueses.” Este pessimismo contrariava o otimismo do governo e mesmo de alguns políticos, porém anos depois o que mudou? Será que a guerra e a seca justificamtudo? Será que a crise pandémica com grande impacto na restauração, obrigou agora a preços elevados para compensar perdas do passado? E se assim foi, acham mesmo que quem sentiu os preços de férias em Portugal , estão muito elevados, voltará ou irá procurar outros lugares mais económicos? Este exagero de subida de preços permanente pode ser considerado normal? Bem, uma coisa os portugueses sabem: pensões e salários não permitem dizer que o país está melhor, com alguns políticos nos querem fazer acreditar. Caminhamos efetivamente para níveis de pobreza muito elevados e mais de metade da população portuguesa não vai conseguir vencer este desafio. São custos demasiado elevados para pensões e salários baixos. Os portugueses estão curiosos por conhecer medidas do governo em tempos difíceis.
Autor: J. Carlos Queiroz
DM

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28 agosto 2022