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Em tempo de incertezas, urge manter a esperança!

Setembro ainda é mês de férias para alguns portugueses. Porém, para a grande maioria, é tempo de preparar o novo ano letivo. É tempo de rever mochilas, conferir livros e manuais, comprar material escolar e cuidar de tudo para evitar percalços no arranque da nova etapa na vida das crianças e jovens em idade escolar.

Um novo ano letivo que pelas notícias vindas a lume começará coxo para muitos estudantes, tendo em conta a falta de professores em muitas disciplinas que não foi possível colmatar atempadamente. É um problema sério que teima em passar à cronicidade e para o qual tarda em haver soluções.

Hoje, ao contrário de há poucas dezenas de anos atrás, os jovens não veem na profissão docente qualquer atrativo. Dantes, quando se perguntava a uma criança o que gostaria de ser quando fosse adulta, era frequente ter como resposta professor ou professora. No presente, a manifestação desse desejo é muito rara. Por muitas razões bem conhecidas, que não cabe neste texto escalpelizar, este emprego perdeu prestígio e atratividade.

Se o novo ano escolar parece estar condenado a principiar com falhas graves, que dizer do país noutros domínios sensíveis?

Olhando para o panorama geral que nos rodeia, parece-me que Portugal e os portugueses estão enfiados numa autêntica camisa de onze varas. Se não vejamos:

Com o custo de vida a subir em flecha em resultado duma inflação que há muito não se via, o Governo elencou tarde um conjunto de medidas que me parece desproporcional e injusto, castigando quem está mais fragilizado e quem é mais pobre.

No mesmo sentido, fez aprovar legislação no sentido de repor o poder de compra de pensionistas e reformados mas, feitas bem as contas, chega-se à conclusão que a prazo será muito penalizadora dos mesmos.

No Ministério da Saúde assistimos à substituição de Marta Temido por Manuel Pizarro, mas sobram muitas dúvidas se o novo ministro será capaz de inverter a destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS) caso, como já ficou patente, seja coagido a seguir as mesmas políticas para tão importante setor. Não é que o novo titular não mereça o benefício da dúvida! Sendo um médico credenciado e experiente logra possuir as qualidades exigidas para o cargo. As dúvidas advêm de se poder libertar das amarras que fizeram chegar o SNS ao estado em que se encontra.

Na Justiça, continuamos a ver megaprocessos como os do BES/GES ou Operação Marquês numa longa e enredada caminhada sem que se vislumbre um fim à vista.

A outro nível, foi com incredibilidade e espanto que vi anunciada a privatização da “TAP Air Portugal”. Incredibilidade e espanto por ter testemunhado a pressa com que o governo chefiado por António Costa, em 2016, então apoiado pelos partidos à sua esquerda, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português, se apressou a nacionalizar a companhia de transportes aéreos portugueses, revertendo a privatização levada a cabo em junho de 2015 pela coligação PSD/CDS, liderada por Pedro Passos Coelho. A menos que agora queira corrigir uma opção então tomada por forte pressão dos seus antigos parceiros da apelidada geringonça, há nesta medida de António Costa uma incoerência difícil de entender.

Se Portugal e os portugueses se encontram mergulhados num rol de problemas que lhes condicionam o presente e podem penhorar o futuro, o cenário além-fronteiras não é mais agradável.

Com uma guerra na Europa de que se desconhece o desfecho e com as consequências já bem visíveis da crise energética e da subida significativa dos bens alimentares, o amanhã não se visiona risonho.

Com o crescimento de movimentos extremistas e xenófobos em diversas latitudes do planeta, pondo em causa as democracias liberais como até agora as conhecemos, o mundo vive tempos de grandes incertezas.

Neste quadro de perplexidades, indefinições e de muita insegurança urge mantermos a esperança, sob pena de deixarmos de desfrutar o precioso dom da vida e mergulharmos nos cinzentos labirintos da depressão.


Autor: J. M. Gonçalves de Oliveira
DM

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13 setembro 2022