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Educação e cidadania

Nada de confusões, o tema é muito do agrado de alguns intelectuais, mas também de quem sempre acha que tem razão e opina mesmo quando ignora o que verdadeiramente está em causa, porém é dever de cidadania abordar questões de interesse geral e que fazem parte do dia a dia do cidadão. Acredito este ano escolar foi confuso, direi mais, pouco produtivo, obrigando a um conjunto de medidas que visaram dar resposta aos problemas da pandemia. Alterações, matérias e aprendizagem em moldes diferentes e obviamente com resultados adequados às alterações. Mas a educação é muito mais que ensino e progressão, numa sociedade estável e democrática é impossível sem um grau mínimo de literacia e conhecimento da parte da maioria dos cidadãos e sem a aceitação generalizada de um núcleo de valores comuns. A educação, neste conceito, pode contribuir para ambos.A educação de uma criança pertence não só à criança ou aos pais mas também aos outros membros da sociedade. Assim se constrói e promove uma sociedade estável e democrática, assim escrevem alguns autores, nomeadamente Milton Friedman, num dos seus clássicos da Economia. Na verdade, a educação à luz da economia, tem um custo, um encargo financeiro imposto pela obrigatoriedade da escolaridade suportado pela grande maioria das famílias. Desenvolver o tema à luz da economia e custos, era acentuar porventura diferenças, desigualdades, esquecendo o dever do Estado em área tão sensível, mas ao mesmo tempo geradora de polémica frequente entre diferentes opiniões políticas. Um Estado tem de atender ao desenvolvimento do indivíduo, daí o financiamento da educação e o apoio aos custos do ensino. Resulta pois destas opções a formação de um indivíduo em conformidade com os princípios e valores, não apenas colhidos em família, mas também entre vizinhos, no convívio com outros e em conformidade com o que a escola lhes transmite e ensina. É evidente que o facilitismo, a tendência para uma avaliação pouco exigente, pode contribuir para um conhecimento menos sustentado, porventura para uma falta de rigor e responsabilidade na análise de situações futuras. Parece pois conveniente, que políticas de ensino sejam sempre merecedoras de estudo, de análise, de ponderação quanto aos fins. O cidadão comum, habituado a trabalhar a ser avaliado, e a cumprir tempos de formação profissional, estranha quando vê surgir um jovem com um grande curriculum, sem nunca ter trabalhado. Na verdade, ninguém tem culpa, o ter estudos é um bom sinal, porém, a exigência deve sempre ser proporcional ao cargo e competência para o exercício de determinadas funções. A experiência nunca deve ser ignorada. Educação e cidadania não se agridem e fazem parte dum objetivo comum, que visa formar cidadãos educados e competentes.
Autor: J. Carlos Queiroz
DM

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12 agosto 2020