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Distração

Andámos distraídos enquanto cidadãos, sim, muito distraídos e nem nos apercebemos disso. Para mim, o caso mais recente de distração dos cidadãos, foi o referendo no Reino Unido, no dia 23 de Junho de 2016, onde os britânicos foram chamados para manifestar a sua opinião sobre a permanência ou não do seu país na União Europeia, acabando por decidir sair da União Europeia.

O resultado provocou uma onda de choque no Reino Unido e na restante Europa, o sim ganhou. Após a votação, começaram as entrevistas de rua no país e logo se ouviam pessoas incrédulas com o resultado, acreditavam que o sim à permanência iria ganhar, que a manutenção da relação com a União Europeia iria perdurar, que tamanha “estupidez” não se iria concretizar e por isso não foram votar; cheguei a ouvir uma pessoa dizer, portuguesa a trabalhar em Inglaterra, que tinha votado pela saída da União Europeia, mas que não sabia que o sim ia ganhar, porque se assim fosse, teria votado no não à saída; incrível.

Perante o caos político, social, económico nacional e de relações internacionais existente, Theresa May, Primeira-Ministra do Reino Unido, apoiante pública da permanência do Reino Unido como Estado-Membro, acaba por ter a ingrata tarefa de negociar a saída do seu país da União Europeia (saliente-se novamente: algo que ela não queria).

Aparentemente, podíamos dizer que, os apoiantes da reversão da decisão tinham na Senhora May uma aliada para promover uma nova consulta popular; mas tal não aconteceu e não vai acontecer, afirmando mesmo que, se o fizesse estaria a minar a democracia. Porquê? Porque isto é a democracia a funcionar.

O povo foi chamado a pronunciar-se, num acto universal, livre e transparente, votou pela saída do Reino Unido da União Europeia, essa é a decisão que o Governo do Reino Unido irá operacionalizar, ponto.

A base da democracia é a vontade dos cidadãos expressa no voto. A democracia funciona assim, e é assim que queremos que ela funcione; agora, se não gostamos dos resultados, temos de fazer uma de duas perguntas: fomos votar? Ou, quando votamos, votamos realmente em consciência, analisando bem as propostas de cada uma das partes que se propõem, vendo bem quais são as suas agendas políticas, o programa político e as implicações que o voto nessa força terá para o futuro de todos nós?

Se a resposta a qualquer das questões em cima for não, então não nos podemos queixar, temos os resultados para os quais trabalhamos e que são, nem mais nem menos, fruto da nossa distração. Deste modo, começamos a perceber que a maioria das pessoas andam distraídas e, pura e simplesmente, não têm consciência do que vão fazer no dia em que vão votar, ou pior ainda, não exercem o seu direito ao voto.

A maioria dos portugueses lamentam o caminho que Portugal está a tomar, em que os valores que nos identificam como povo estão a sob um ataque feroz e constante; o ataque à iniciativa privada é claro e directo; o penalizar quem é proprietário de alguma coisa é um objectivo claro; o ataque às famílias que poupam e economizam, é dirigido e fulcral para a extrema-esquerda, pois é preciso penalizar os “acumuladores”; a destruição do modelo de família e a vulgarização do valor da vida Humana estão a ser implementados passo-a-passo; e tudo isto, à força de uma avalanche legislativa sem precedentes, motivada pela agenda ideológica da extrema-esquerda e pela ambição desmedida de um Partido Socialista “jacobinista”.

2019 é um ano muito importante para o futuro próximo de Portugal, temos duas eleições, uma Europeia em Maio e outra Legislativa em Outubro. A maioria do povo português que é moderada, zelosa de um Portugal inclusivo, equilibrado e não extremista, é responsável por fazer valer a sua posição, convém que não ande distraída, vá votar e pense muito bem nos projectos políticos em que vai votar. É que a distração de uns é a oportunidade de outros.


Autor: Gonçalo Pimenta de Castro
DM

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26 janeiro 2019