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Despertar o talento

A propósito do aparecimento de uma nova coqueluche do futebol nacional, João Félix, muito se tem discutido o “talento”. Quem não se lembra de atletas prodígios que não passaram apenas disso: promessas? Para entender o valor do talento, deve-se perceber a importância da preparação e do trabalho. Não existem fórmulas para explorar o melhor dos atletas, há mil e uma formas de atuação e em todas elas mais outras tantas reações. Mas há uma certeza, o desafio de fazer mais e melhor deve ser uma constante no processo de um atleta em formação.Nos processos de treino, naturalmente exigentes, é perfeitamente normal que haja, por parte do treinador algumas repreensões que sejam duras, ásperas e, eventualmente, desafiantes. A crítica, seja qual for, tem que ser sempre entendida, pelo treinador e pelo atleta, como um desafio. Nenhum treinador quer que um atleta baixe a sua prestação. E, quanto mais o treinador confia no seu plantel e em cada um desses atletas, maior deverá ser o desafio que lhe deve ser provocado. Quando o jovem atleta se acha mais que os outros, com mais talento que os restantes, e só com isso, enfrenta o processo de preparação desportiva, está a dar o primeiro passo para ficar para trás. Creio que, quanto maior é o talento de um atleta mais lhe deve ser exigido competência, humildade, esforço e entrega, para se guiar para um processo que é, naturalmente, exigente, difícil, mas necessário: evoluir. O processo de treino nunca é fácil. Mas acima de tudo, para haver progressão tem que haver entrega e a corda deve estar, sempre, esticada. O desconforto é algo que deve estar sempre presente no processo de preparação. Atletas com funções diferentes, até com caraterísticas diferentes, exigem compromissos distintos. Mas, a realidade é que o jogo é sempre muito exigente e a resposta de cada equipa está sempre na sua capacidade de assumir a com petição e fazer com que ninguém comprometa a equipa, e mais, não faça comprometer a evolução coletiva. O compromisso de qualquer treinador deve ser a evolução da equipa e de cada atleta que a compõe. Esta semana, ocorreu a morte de uma atleta, vítima de um problema cardíaco. A imprensa apressou-se a relatar o problema como consequência da sua atividade física. Enquanto, especialista, custa-me observar a “leviandade” como se abordam estes assuntos. Antes de mais, não é possível atribuir causas, sem que seja feita uma diagnose completa, uma avaliação profunda e retirar uma conclusão balizada da situação. Quando se informa deve-se entender a importância do efeito. É pernicioso dizer-se que a causa da morte foi a atividade física. É fundamental que se entenda a importância da segurança, quando se pratica uma atividade física, mas os acidentes acontecem em todo o lado e a toda a hora. Nada garante que se essa pessoa estivesse em casa, a descansar, não lhe aconteceria o mesmo. Há um facto que deve estar na consciência de todos, hoje, há uma tendência maior de prática desportiva informal, mas, mesmo essa tem riscos. Quem sai para correr, não o deverá fazer sem realizar uma avaliação médica da sua condição. Mas mesmo assim, nada nem ninguém pode garantir que não possa acontecer um acidente, uma lesão. Há quem pense que “muito” representa “mais”. E isso preocupa-me. No entanto, devo alertar que os principais fatores de risco é não praticar atividade física, regular, ou por oposição, desmesuradamente, realizar atividades que o organismo não está preparado. Desperte o seu talento, mas com saúde, com equilíbrio e sensatez, para poder atingir os seus objetivos associados.
Autor: Carlos Dias
DM

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15 fevereiro 2019