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Desabafo de revolta em tempo de guerra

Não quero manter-me calado e lamuriando-me por aí pela situação catastrófica vivida na Ucrânia nestes tempos que correm. Não posso, a minha formação e consciência não o permitem, manter-me indiferente face à carnificina que vejo todos os dias nos diferentes noticiários televisivos e que têm por cenário um país que tem direito a ser respeitado na sua identidade cultural e configuração geográfica. Refiro-me, obviamente, à Ucrânia e ao drama clamoroso que este país está a sofrer por parte de um “neo-Hitler” ou “neo-Estaline” (como dizia alguém estes “gajos” são gémeos heterozigotas!). Não devo, não quero, não posso nem devo ficar indiferente face à destruição maquiavélica, demoníaca, a que está a ser submetida a Ucrânia. Dói-me a alma e todo o meu ser, ver cidade após cidade ser demolida pelas bombas e misseis russos! Dói-me profundamente ver a fuga de famílias fragmentadas fugirem da morte que as esperaria no seu país, despidas de bens essenciais como medicamentos ou roupa. O olhar das crianças, puro como ao dos anjos, espantados e assustados, toca-me profundamente e sinto uma revolta como nunca senti face à crueldade de um tirano obcecado e focado patologicamente na destruição de um país que tem direito a existir em liberdade. Mas, o que que me toca terrivelmente, é ver os velhos e doentes arrastando-se com imensa dificuldade, em carros de rodas ou com andarilhos, à procura de escapar da morte que os espera. Que olhares de dor espelham! O espectáculo dantesco de destruição das cidades em que nada escapa, toca-me profundamente e revolta-me ver um Ocidente lento e calculista a ver a destruição com uma indiferença revestida de compaixão cínica! A Ucrânia está a transformar-se num monte de escombros que escondem cemitérios onde jazem as vítimas de uma guerra injusta e infame. As medidas contra o tirano da Rússia são tomadas a conte gotas, porquê? Como se pode admitir, num mundo dito democrático e defensor dos chamados “Direitos do Homem” que os bombardeamentos destruam e ataquem sem dó nem piedade hospitais e que não deixam escapar hospitais oncológicos, psiquiátricos, ou pediátricos? Como é possível? Como é possível destruírem-se escolas, universidades ou bibliotecas, que não são instrumentos de guerra nem nela colaboram? Como é possível ver destruir habitações de civis deixando-os num monte de ruínas? Como é possível ver arrasar museus, monumentos, igrejas ou escolas e ficar, o decadente Ocidente, só derramando “lágrimas de crocodilo”? Como? Nunca imaginei que a III Guerra Mundial começasse neste tempo que ainda não perdeu a memória da II Guerra. Creio firmemente em que outros países vão seguir um trajecto de destruição e aniquilamento que está a sofrer a Ucrânia. Será um questão de tempo, pouco tempo. Aliás a Europa já está em guerra e não quer pensar nisso! Vejamos o que já estamos a sofrer sem tiroteios, como o aumento do custo de bens essenciais que estamos a suportar. Isto já faz parte da Guerra que começou ainda que os mísseis estejam a ser disparados a muitos milhares de quilómetros. Dá-me a ideia de que estamos de tal modo anestesiados que não pensamos na gravidade do tempo que estamos a viver e do que irá brevemente suceder. Todos os dias a situação na Ucrânia piora. Alguns de nós têm pena e lamentam-se. Fica bem mas não é nada nem nada produz. Os políticos entretêm-se com os oligarcas, putativos colaboradores do tirano de Moscovo, como se os corruptos fossem os fazedores da guerra e deixam os generais omnipotentes da Rússia impunes? Estamos em guerra a que os “sábios” chamam de “guerra híbrida”: económica, social, comunicacional e, também, com armas altamente sofisticadas e muitas delas proibidas por Tratados internacionais. Consciencializemo-nos que estamos já em guerra, a chamada “guerra híbrida”, um eufemismo para dizer que estamos já num processo extremamente cruel a que, por exemplo, não escapam as medidas restritivas de carácter económico. Sei que a minha voz não tem qualquer impacto. Mas a minha revolta imensa contra esta guerra não a posso, não a devo nem a quero calar. Não adianta nada, sei bem, mas alivio a minha revolta e , assim, associo-me aos que pensam como eu, pois sei que não estou só. A paz é um bem de tal ordem importante e fundamental que nunca a deveríamos perder. A paz é obra de Deus, que apagamos da nossa Cultura. A guerra é obra do Diabo que impera nestes tempos.
Autor: Carlos Aguiar Gomes
DM

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17 março 2022