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Depois da pandemia, o «oitavo dia»?

  1. Que humanidade vai sair da pandemia? Estaremos a aprender as lições que – a duras penas – temos recebido?

Estaremos a ficar mais humanos, mais humildes, mais voltados para os outros?

  1. Que tempo nos espera? E que mundo nos preparamos para reconstruir?

Um dos muitos ensinamentos que estamos a colher é que até aquilo que foi meticulosamente programado pode ser cruamente desmontado num instante.

  1. Como iremos conviver com a fragilidade do que parecia inabalável? Com a efemeridade do que se apresentava como indestrutível? E com a urgência de reerguer o que se afigurava adornado com uma solidez inatacável?

Apesar de terem caído as maiores seguranças – e colapsado todos os optimismos –, cresce o anseio de que (assim que passe esta «tormenta pandémica») habitemos numa «nova terra» (Ap 21, 21).

  1. Já teremos, contudo, percebido que só a renovação de cada pessoa desencadeará a renovação da humanidade?

Somente o «homem novo» (Ef 4, 24) abrirá as portas ao (tão desejado) «mundo novo». E qual será o perfil do «homem novo»?

  1. Para Evágrio do Ponto, o «homem novo» é o «homem do oitavo dia», isto é, do «tempo novo», da «vida nova».

É um homem tingido pelo paradoxo, «separado de tudo e unido a tudo; impassível e de uma soberana sensibilidade; deificado e considerado o lixo do mundo».

  1. Mas, apesar de tudo – e acima de tudo –, o «homem novo» é «feliz, divinamente feliz».

Motivo? O «homem novo» não renuncia ao tempo, deixando-se transformar pela eternidade divina, pela eternidade feliz.

  1. Não devendo ficar indiferentes ao progresso nem aos êxitos, é temerário ficar dependentes deles.

Teremos de voltar a conviver com o fracasso e evitar o deslumbramento com os triunfos. Num caso e noutro, há que ver mais fundo e chegar mais longe.

  1. Muitas vezes, recusamo-nos a ser «pobres no espírito» (cf. Mt 5, 3) porque padecemos de uma «cegueira do espírito».

Precisamos de aspirar o aroma do Espírito Santo. E de entender – como alerta Paul Evdokimov – que o universo, afinal, é uma «imensa catedral».

  1. O «homem novo» por excelência é Jesus Cristo, que o teólogo de Sampetersburgo aponta como o «Bispo supremo» e o «leigo supremo».

O Cristianismo é «explosivo» porque não desiste do «regresso a Deus» – nem do pleno «ingresso em Deus» – neste mundo faminto e sedento.

  1. A humanidade do «novo dia» carece de um «surto de espiritualidade», que a faça balancear entre a abertura aos «novos céus» (Ap 21, 21) e o levantamento de uma «nova terra» (Ap 21, 21).

Há que investir, pois, na «desprofanação» do mundo e na «desvulgarização» da vida. É connosco que Deus quer fazer «algo de novo» (Jer 31, 22)!


Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira
DM

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6 julho 2021