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Confesso que, no que respeita a «protos» (ao que está em primeiro), entendo pouco de «protocolos» e de «protagonismos».Entendo – em certos ambientes – a necessidade de «protocolos». Já me custa mais compreender a disputa – por vezes, desenfreada –em torno de «protagonismos».
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Na Igreja, deixemos o protagonismo para Cristo. Foi Ele que deu a vida por ela. É a Ele, pois, que cabe ser a «cabeça» dela (cf. Col 1, 18).Pela nossa parte, coloquemo-nos à escuta de Cristo e ao serviço de Cristo. Não ousemos sobrepor nunca a nossa acção à presença de Cristo.
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No que se refere a «protos» (ao que está em primeiro), nunca nos desliguemos do «proto-anúncio».Sintomaticamente, o «proto-anúncio» cristão veio por uma mulher. Foi, com efeito, Maria Madalena a primeira a dizer aos discípulos: «Vi o Senhor» (Jo 20, 18).
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É curioso que o «proto-anúncio» dos discípulos foi uma reprodução literal do «proto-anúncio» daquela mulher.Também eles disseram ao que tinha faltado (Tomé) ao primeiro encontro com o Ressuscitado: «Vimos o Senhor» (Jo 20, 25).
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Foi, aliás, por causa deste «proto-anúncio» que os membros da Igreja dos começos deram a vida e verteram o sangue.Mesmo quando eram hostilizados e ameaçados, não cessavam de proclamar que tinham visto o Senhor ressuscitado: «Não podemos calar o que “vimos” e ouvimos» (Act 4, 20).
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É por isso que nenhum de nós se limita a dizer que «Cristo viveu».Todos nós somos chamados a anunciar – e a testemunhar – que «Cristo está vivo».
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É Ele que continua a conduzir a Sua Igreja. É, portanto, por Ele que a Igreja se deve deixar guiar e conduzir.O fundamental é que cada um de nós se disponha a diminuir para que Ele – e só Ele – cresça (cf. Jo 3, 30).
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Qualquer outro protagonismo é contra-natura e, nessa medida, um contra-senso.O resultado é um embate entre «egos» que nunca estão saciados. Cada «protagonista» não descansa enquanto não sufocar outros «protagonistas».
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É tempo de nos unirmos – todos! – à volta de Cristo. É Ele o Pastor, Pastor bom, belo e verdadeiro (cf. Jo 10, 11).O pastoreio dos pastores é feito n’Ele, com Ele e para Ele, nunca em sobreposição a Ele.
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Não esqueçamos que, no «mandamento da Missão», não fomos incumbidos de ensinar o que nos apraz, mas – apenas – o que Cristo nos manda (cf. Mt 28, 20).Não polarizemos o que «nos» parece melhor. Voltemos-nos sempre – e só – para o Evangelho de Cristo e para o Cristo do Evangelho. O protagonismo pertence-Lhe. Por inteiro!
Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira