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Da coerência do PCP à hipocrisia do Bloco

Foi preciso esta guerra para toda a gente perceber afinal o que é o PCP, a sua vassalagem às ditaduras mais hediondas – mesmo que contestem agora o não comunista Putin – e perceber que o ar de avó bonzinho de Jerónimo de Sousa esconde a sua obediência aos valores mais anti democráticos de regimes atrozes contra a liberdade, a democracia e a sociedade livre, responsáveis por milhões de mortes, prisões e torturas no SÉc XX?

De facto, o PCP foi um partido que lutou muito contra a ditadura totalitária de António Salazar mas nunca o fez em nome da liberdade, da democracia, de uma sociedade livre e de um regime pluripartidário.

O PCP combateu Oliveira Salazar porque Oliveira Salazar combateu o PCP e a existência de um partido comunista legalizado e atuante na sociedade era incompatível nesse regime.

Quando Alvaro Cunhal usava a palavra democracia, não a usava no sentido ocidental do termo, do termo usado no mundo livre, mas usava-o no sentido que a “democracia” resultava da ditadura do Estado em que todos são iguais, onde não existe sociedade mas apenas o Estado, não existem indivíduos mas apenas cidadãos igualitários. Alvaro Cunhal usava a palavra democracia no mesmo sentido que era usada para denominar a República Democrata Alemã, que de democrata de nada tinha.

O PCP lutou contra a ditadura de Salazar com o objetivo de ulteriormente criar uma ditadura comunista em Portugal.

A seguir ao 25 de Abril, o Partido Comunista Português tentou em Portugal a instituição do regime do comunista, impedido pelo 25 de Novembro, mas não deixou de o conseguir com sucesso em algumas das ex-colónias portuguesas, abandonadas por Portugal, cujos povos pagaram, e ainda pagam, em despotismo, autocracia, corrupção e atraso no desenvolvimento.

O PCP, de facto, depois de perder a guerra em Portugal pela instituição da ditadura do proletariado e de uma sociedade sem classes, aceitou as regras da democracia. Aliás são até de um respeito absoluto pela lei vigente, mesmo pelas normas legislativas que não tenham sido aprovadas pelo partido comunista no Parlamento.

Bom exemplo é a defesa acérrima da atual Constituição – ainda influenciada do tempo que PCP tinha poder – apesar de ter sido sempre contra todas as suas revisões

Os mais ingénuos ou aqueles que não querem ver a realidade deste partido, basta observarem o seu regime interno: muitos dos seus políticos são funcionários do partido e as suas regras internas de nada têm de democráticas. Alguém vê disputas sãs e democráticas pelos órgãos dirigentes, pelas suas escolhas para candidaturas autárquicas ou diferenças de pensamento e críticas livres de militantes, como se observa noutros partidos democráticos?

Quanto ao Bloco de Esquerda, disfarçam o mais que podem a sua verdadeira essência, ora apoiando fortemente o regime de Chaves na Venezuela mas criticando Maduro, quando é evidente para todos a sua terrível consequência para o povo, ora exigindo a saída de Portugal da NATO, mas não apoiando no Parlamento Europeu o auxilio financeiro à Ucrânia, condenando a invasão mas condenando igualmente o reforço militar aos ucranianos para se defenderem, quando vem dizer antes das eleições – pasme-se – que é social democrata mas abomina o lucro, quer colocar, através dos subsídios, o máximo de pessoas na tutela no estado, não permite que um pequeno empresário venha a ser grande, quer taxar tudo que dê rendimento, etc, etc..

Catarina Martins, que desde a última grande derrota perdeu o ar celestial, cândido e teatral que colocava nas suas intervenções, já não consegue disfarçar que as posições do Bloco flutuam consoante o vento que lhes corre de feição.

Pode não se concordar com a posição do PCP, mas merece respeito pela sua honestidade e coerência, mas já quanto ao Bloco já é desprezível politicamente pelo seu mercantilismo, oportunismo e incoerência.

Só por muito oportunismo político, ditado pela manutenção no poder quando perdeu as eleições, que António Costa afirmou aos quatro ventos que tinha quebrado o muro. Não quebrou muro nenhum, como se vê, como António Costa é também responsável pela ausência de reformas, pela criação de medidas que impedem um Portugal desenvolvido, quando permitiu a criação de um governo suportado por estes dois partidos que tiveram um influência governativa muito maior que os portugueses lhes deram em eleições livre e democráticas.


Autor: Joaquim Barbosa
DM

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9 março 2022