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Contemplando o presépio

Entre a festa da Sagrada Família que no passado Domingo se celebrou e a festa da Epifania do Senhor que no próximo Domingo se comemorará, marcando o final da quadra natalícia, vale a pena reflectir sobre o presépio e sobre a riqueza espiritual que encerra, sobretudo quando a febre consumista e os excessos gastronómicos se vêm sobrepondo à vivência do genuíno sentido da mensagem de Natal.

E, desde logo, sobre a sua “Estrela” principal – o Menino Jesus –, em Quem podemos contemplar a esperança viva, real, visível e perceptível da salvação da humanidade por um Deus misericordioso que enviou o seu próprio Filho para nos mostrar o caminho da verdadeira vida, daquela que está para além da nossa fragilidade e da finitude terrena e que jamais acabará se tivermos fé, se agirmos com caridade, isto é, se amarmos o próximo como a nós mesmos e se formos humildes de coração. Aliás, a preferência divina pela humildade decorre, claramente, da opção por um nascimento numa simples manjedoura, despido de quaisquer comodidades e de todas as riquezas.

Depois, dirigindo o olhar para Maria, a Mãe que a Divina Providência escolheu, somos confrontados com o alto apreço pelos valores da obediência e da crença na palavra do Criador: sem hesitar, Maria permitiu que a suprema vontade do Pai se cumprisse no seu corpo virginal.

E por último, a figura de José, o pai adoptivo que, acreditando nas palavras do anjo, viu na maternidade da sua querida esposada a obra do Espírito Santo e se manteve sempre fiel ao secreto desígnio divino de redenção da humanidade através do Filho anunciado e efectivamente nascido.

Ora, se o projecto salvífico de Deus é perfeito e amoroso – e para nós, cristãos, é – impunha-se que fosse dado a conhecer a todos os povos da terra.

Foi, exactamente, esse papel de revelação do Menino Jesus ao mundo que a Divina Providência quis que fosse representado pelos Reis Magos.

Como conta Mateus no Evangelho, através de uma misteriosa estrela, foram os magos orientados para Jerusalém e, a seguir, para Belém onde adoraram o Deus Menino, a nova luz do Mundo, fadada para iluminar o caminho dos povos!

A visita e adoração dos Três Reis Magos, vindos do Oriente, têm, assim, o inequívoco significado do reconhecimento de Jesus Cristo como Deus encarnado e da aceitação da Sua futura palavra pelas diferentes etnias e culturas da terra. E isso está bem patente na simbologia dos presentes que ofereceram: ouro, como sinal da realeza; incenso, como marca da divindade e mirra, como signo do sofrimento pela Sua humanidade.

É, pois, com este olhar sobre o presépio que somos convidados a reflectir sobre a Sagrada Família e a Epifania do Senhor e a dar público testemunho, por palavras e por actos, da presença de Deus na vida e na história das nossas comunidades.

Se na eucaristia de Domingo formos capazes de entregar ao Deus Menino o nosso coração, estou certo que não poderemos achar outro presente que aos Seus olhos possa ser mais agradável.

A todos os meus estimados leitores, desejo um bom dia de Reis!


Autor: António Brochado Pedras
DM

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4 janeiro 2019