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Claro e óbvio (VAR)

Como todos sabemos as novas tecnologias invadiram a sociedade atual não tendo noção da sua evolução e do que irá acontecer no futuro. Dissertando um pouco da história já noslongínquos anos oitenta, do século passado, assistia umas breves imagens na RTP, dum jogo das modalidades amadoras, no caso específico de andebol, e referiam-se à Taça Latina de Andebol, prova que se realizou em Braga, Guimarães e Viana do Castelo. Relembro que nessa altura as imagens eram a preto e branco, vindo mais tarde as transmissões a cores. O que então era uma perfeita raridade ao alcance de apenas algumas modalidades e alguns clubes, dos jogos das seleções nacionais e Liga dos Campeões Europeus passou também a haver transmissões de jogos dos campeonatos de diferentes modalidades. No entanto, hoje em dia, tornou-se uma perfeita banalidade ao alcance de toda a gente. Para além disso qualquer telemóvel transmite em direto, qualquer jogo em qualquer canto do país. Por isso existem hoje ferramentas que nos ajudam a recordar o passado como as imagens de uma viagem de férias ou cerimónias e atos marcantes da nossa vida. Fazendo a analogia com o desporto, recentemente foi introduzido no Futebol, já existia no Ténis e Voleibol, o VAR (Vídeo árbitro), instrumento para corrigir os erros ou falhas que os árbitros cometem em campo, visto que por vezes é muito difícil ao árbitro discernir em tempo real as situações dúbias e que acarretam benefícios de uns em detrimento de outros. Tenho noção que esta ferramenta dá os seus primeiros passos e para isso gostaria de citar uma metáfora do Prof. Doutor Carlos Alberto Gonçalves, que durante onze anos foi presidente do “European Fair Play Movement”. – A faca é um utensilio bom ou mau? E respondia: – Não é nem bom nem mau, depende o uso que lhe dou. Por outras palavras a possibilidade de tudo poder ser filmado é bom ou é mau? Também aqui e focando-nos apenas no universo do desporto, depende do uso que lhe é dado. Por isso também o VAR, que poderá ajudar a resolver algumas questões no futebol e outras modalidades, depende muito do uso que lhe queremos dar, e ultimamente o uso não tem sido o mais adequado. Parafraseando o ex-árbitro Pedro Henriques, comentador de arbitragem da Sport TV em que afirma que o VAR só deve intervir quando existe uma situação “clara e óbvia”, o que não foi o caso do jogo de 4ª feira, da Taça da Liga, na anulação do 2.º golo do SC Braga frente ao Sporting, análise que não foi “clara e óbvia”, por isso não devia ter havido a sua intervenção. Agora santa paciência, tudo já passou com as consequências que se conhecem mas não tenhamos ilusões, porque o VAR assenta nas novas tecnologias mas enquanto esta ferramenta for comandada por homens o erro vai continuar…
Autor: Luís Covas
DM

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25 janeiro 2019