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Chicotadas sucedem-se

A reta final do campeonato é sempre a altura em que os clubes, e respetivos adeptos, trazem para junto de si as calculadoras. Uns para fazer contas aos pontos de que precisam para garantir os seus objetivos, outros precisam de olhar para os jogos dos rivais porque já não dependem de si próprios. A oito jornadas do final da Liga Bwin, apesar de na luta pelo título termos o FC Porto a comandar as operações e com um favoritismo claro relativamente ao SC Portugal e aos demais, só na luta pela manutenção a dúvida permanece visto que a separar os últimos 10 classificados há apenas 13 pontos de diferença. Perante este cenário, sobram dúvidas e muita incerteza sobre o que se passará no fundo da tabela, mas os clubes têm tentado chegar a esta fase o mais bem preparados possível e a questão que se coloca é se o estarão a fazer da melhor forma? Olhando para os últimos 10 classificados, só o Portimonense, Vizela e Arouca ainda não mudaram de treinador. O último foi o Tondela, que abdicou de Pako Ayestarán, treinador que se havia mantido desde a época passada, para fazer ingressar Nuno Campos. Antes, já Ricardo Sá Pinto tinha substituído Lito Vidigal no Moreirense que por sua vez substituíra João Henriques. Se tanto no Marítimo como no Paços de Ferreira a mudança parece ter surtido efeito, com ambas as equipas a melhorarem num curto espaço de tempo, a verdade é que há casos diferentes, como o Belenenses e Moreirense, que já mudaram de treinador por duas vezes, mas a manterem-se nos dois últimos lugares da classificação. De resto, historicamente as “chicotadas psicológicas”, como ficaram céleres as mudanças de treinadores no futebol nacional, não têm garantido resultados práticos. A verdade é que cada caso é um caso e generalizar poderá levar a maus julgamentos, desde logo porque as equipas têm problemas diferentes, e por isso exigem soluções diferentes. Importa, assim, olhar para casos práticos. Ao Famalicão, por exemplo, reconhece-se um plantel de qualidade e portanto percebe-se que a direção entenda que o potencial máximo dos jogadores não estava a ser alcançado e altere o treinador. Ivo Vieira, na minha opinião, um dos melhores treinadores da liga, não conseguiu mostrar isso e acabou substituído. No entanto, o problema é precisamente que para diferentes males, a solução seja sempre a mesma: a troca de treinador. E, pior ainda, que os clubes, ao mudar de treinador, revelem a completa falta de planeamento existente. É legítimo que qualquer clube mude de treinador, mas fica difícil entender que no início da época definam um caminho (composto pela escolha de treinador, estilo de jogo e por conseguinte um plantel adequado aos seus objetivos) e, a meio, enveredem pelo oposto, dando a um novo treinador um plantel composto e trabalhado para jogar um futebol que não é o seu. Entre as mudanças de treinador, Petit foi o único que nesta mesma época voltou a assumir uma equipa após a sua saída do Belenenses e a assinar pelo Boavista. De todas as saídas, a mais mediática foi a de Jorge Jesus, com o treinador que prometera jogar o triplo pelo Benfica a deixar os encarnados em que nada ganhou. Por isso senhores dirigentes três palavras-chave para o sucesso: planear, organizar e gerir.
Autor: Luís Covas
DM

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18 março 2022