twitter

Ceder à pressão competitiva

A recente história que envolve o jogador português de futebol do Barcelona, André Gomes, veio relançar a discussão, entre vários especialistas associados ao fenómeno desportivo, da importância dos índices psicológicos para encarar a competição.

Não é caso único e, este foi quase um pedido de ajuda. Não é muito normal termos este tipo de casos ou discursos tão intimistas em equipas de elevado nível.

Apesar de muitos anos de trabalho, milhares de horas de dedicação e treino para atingir o alto nível, e depois de lá chegar, alguns atletas sofrem e alguns cedem à pressão que lhes é naturalmente colocada.

Em ambientes de elevada tensão, stress e ansiedade são frequentes lapsos de atenção, ataques de pânico, erros clamorosos, fracas prestações, o que, obviamente, dá uma dimensão de ciência não exata ao desporto e, eventualmente, também é por isso que se torna uma área altamente emocionante e apaixonante.

É um facto que quando os próprios adeptos assobiam, a imprensa decapita e os níveis de rendimento não são elevados, a pressão do insucesso é algo que fere. E nem todos estão preparados para esta dimensão.

A história do desporto está repleta destes casos, destes fenómenos, que se transformam em casos de estudo, mas a forma como os seres humanos assumem os erros e as expetativas são tão díspares, que cada caso é um caso, pelo que generalizar é muito abusivo.

O treino e a competição são as duas realidades que apesar de serem distintas na forma, concorrem para a obtenção de uma estreita relação no processo de preparação desportiva.

Todos nós conhecemos casos de atletas que não treinam bem, mas chegam à competição e são “bichos competitivos”, outros ainda que treinam muito bem, mas não se assumem nos momentos decisivos.

Não existem "receitas" nem "fórmulas mágicas" em que os atletas e treinadores se possam servir para resolverem os problemas que a competição impõe, porém existem princípios que poderão envolver o quadro teórico da intervenção pedagógica, preparando os atletas para os “grandes momentos”.

As diferenças existentes entre o carácter dos estudos centrados no treino e na competição apontam para diferentes tendências de atuação:

1) Em situação de treino, os treinadores bem-sucedidos tendem, fundamentalmente, a instruir os atletas de como reagir às prestações motoras e fomentar formatos pressionantes de “competição em treino”;

2) Verifica-se que, regra geral, a intervenção que reforça determinados modelos como solução para os eventuais erros, ajudam a ultrapassar as maiores dificuldades;

3) Os comportamentos vulgarmente assumidos pelos treinadores em competição têm, tendencialmente, como objetivo motivar e intensificar os esforços, sobre a forma de encorajamento, ajudam a encontrar soluções para os momentos decisivos. Mas, acima do tudo, os atletas devem treinar e preparar todos os conceitos e fatores de treino, nomeadamente os aspetos psicológicos.

No desporto, os papéis mais difíceis são desempenhados pelos atletas. A sorte do André Gomes é que toda a comunidade percebeu que o momento é difícil e todos à sua volta já começaram a ajudar.


Autor: Carlos Dias
DM

DM

16 março 2018