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Carta Aberta a “um” caloiro

Avô e Avó! Entrei na Universidade! Soube hoje [10/09/2022] da colocação! E o meu primo também!” Ao ouvi-lo, fiquei “mudo e quedo”. Meu Deus, o tempo não passa; “avoa”. «Inda ontem ele nasceu e, … “em dois dias”, cresceu, fez o ensino básico e o secundário. E, n’ “um Sopro de Vida”, acaba de ingressar no superior! Entrou (“sem espinhas”) para o “Guiness supersónico!!”

Antes de continuar a bater o teclado, quero dizer que esta é uma «Carta Aberta» a cada um dos cinquenta e tal mil caloiros colocados, mais o número de familiares vezes «X». Numa lógica sentimental,

Olhai, “caloirada!”, já sou “cota q. b.” Mas, quando tinha a idade que vocês têm, havia três universidades no país: em Lisboa, Porto e Coimbra. E eu, “joguei em casa” todo o meu percurso de estudante, desde a Primária até à Universidade.

Uma outra diferença significativa diz respeito à idade com que se atingia a maioridade. Mas aqui, o marco foi a chamada “Revolução dos Cravos”. (Ignoro se esta matéria faz parte dos compêndios de História na actualidade e a sua abordagem. E aproveito o parêntesis para mandar a minha opinião, que teria sido mais certo ter-lhe chamado a “Revolução das Rosas”. É que todas as “rosas têm espinhos”; mas… a questão está fora da rota desta “carta aberta”).

Antes do ”25 de Abril de 1974 “, à ditadura que então detinha o poder convinha domar e dominar o povo. Ora, aos ideais da Revolução convinha aproveitar a quantidade dos novos e jovens eleitores que iriam votar nas forças que se diziam ser portadoras de mudanças.

      1. Estava eu “a fazer o aquecimento para iniciar a corrida“ deste artigo, quando me lembrei de pesquisar na internet sobre a (possível) existência de um Santo Padroeiro dos estudantes. «Tomás de Aquino, Santo Protector dos Estudantes Universitários: padre dominicano nascido em Itália no ano de 1225. Aos cinco anos iniciou os estudos num mosteiro; contra a vontade dos pais, em 1244 ingressou na ordem religiosa dos Dominicanos. Frequentou a Universidade de Paris; aí conheceu a filosofia de Aristóteles. Através dela, conseguiu conciliar a fé cristã com um sistema racional, que se tornou a sua grande obra. Morreu em 1274; foi canonizado pelo Papa João XXII em 1323, sem nunca ter realizado um milagre. O seu grande milagre foi ter iluminado a Igreja com seus estudos e ensinamentos». [Escrito e enviado porVinicius Reis, em 24/11/2015]

Hoje madruguei. E, mal dormido por ontem ter sabido que o meu Amigo D. já adormeceu em definitivo desta Vida terrena. Mesmo que lá do Alto se aviste esta Vida, quem me dera interiorizar a frase de Vinícius Reis atrás escrita: «Através da filosofia de Aristóteles, Tomás de Aquino conseguiu conciliar a fé cristã com [o intelecto] racional. (Ah! Ainda quiçá mal acordado, esqueci-me que este texto é candidato a artigo para sair a público no Diário do Minho).

Vou retomar o fio à meada dos caloiros. Quando pensei em me dirigir a eles, uma das ideias que tive foi pedir ao músico Sérgio Godinho (conheceis? É um “cota da fornada de 1945”, mas com a vitalidade que se lhe vê), pedir-lhe licença para, da canção «O Primeiro Dia», usar o verso último das estrofes: “Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”. E cá vai, adaptado: «Este é o primeiro ano do resto da tua vida».

Com a minha idade, atiro para longe a veleidade de dar sugestões, pior ainda, de vos “chatear”. Quando fui “caloiro”, em Coimbra no princípio da década de 1960, os dois penúltimos graus da hierarquia eram “cão e caloiro”; omito o último por consideração ao serviço do agente (era a irreverência à solta). Retomo o fio da meada.

Limito-me e digo o que penso da Vida de quem nasceu já no século XXI.

Em dois tempos de ensino” fizestes o “aquecimento” para entrar num curso que vos habilitará para o exercício de uma profissão. Não me alongo mais; deixo-vos com a já muito conhecida frase «Fé em Deus e pé no acelerador!»


Autor: Bernardino Luís Costa
DM

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14 setembro 2022