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Carta aberta a Deus, implorando a paz para a Ucrânia!

Senhor meu Deus, sei que sou indigno de Te dirigir a palavra, porque são grandes os meus pecados à luz dos teus olhos compassivos; mas o profeta Joel disse que todo aquele que invocar o Nome de Javé será salvo. Depois, o apóstolo Paulo, que interpelaste e converteste na estrada de Damasco, também disse, na Carta aos Romanos, que, doravante, não mais haveria distinção entre judeu e grego, porque Jesus Cristo é o Senhor de todos, rico para com todos os que O invocam. Confiado neste preceito, invoco-Te, pois, para que sejas rico comigo, e para que não Te esqueças que já tinhas planeado todos os dias da minha vida, antes mesmo de ter sido concebido no ventre de minha mãe, conforme cantou o teu servo David.

E eu serei imensamente rico se concederes a graça da paz ao povo da Ucrânia que, antes da guerra, vivia feliz a amanhar os seus campos de trigo, a estudar nas suas escolas, a trabalhar nas suas empresas, a passear nos seus jardins, a orar nas suas igrejas… Mas foi criminosamente agredido pelo exército de uma nação vizinha que agora lhe tala a terra, o património, a cultura e a alma. Senhor, Tu que prometeste e cumpriste tudo quanto disseste a Moisés: «Vamos, parte daqui com o povo que tiraste do Egito, e vai para a terra que prometi a Abraão, Isaac e Jacob… Vou enviar à tua frente o meu anjo, para expulsar os cananeus, amorreus, heteus, ferezeus, heveus e jezebeus», envia também o teu anjo contra aqueles que invadiram a Terra Prometida que deste, há muitos séculos, ao povo da Ucrânia.

Um tirano violou a tua Lei, tal como outrora outros que se perderam em raciocínios vazios e as suas mentes ficaram obscurecidas, conforme Paulo notou aos romanos: «Deste modo eles fazem o que não deveriam fazer: estão cheios de toda a espécie de injustiça, perversidade, avidez e malícia…» Não deixes, Senhor, que um déspota destrua a obra da tua criação. Se deste poder ao anjo Gabriel para prender a língua de Zacarias, por não ter acreditado na promessa de que lhe darias um filho natural na sua velhice, porque deixas que um novo Herodes mate meninos inocentes, que foram concebidos e criados para a alegria dos seus pais? Esses meninos não mais correrão de braços abertos para abraçar o teu Filho, como Ele tanto gostava, pois, como conta Mateus, andando, um dia, por terras da Judeia a pregar e a fazer o Bem, repreendeu os seus discípulos dizendo: «Deixai vir a Mim as criancinhas; porque o Reino do Céu é semelhante a elas.»

Deste poder a David para derrotar Golias, deste poder a Judite para derrotar Holofernes, dá também poder a Zelensky para derrotar Putin, porque da sua vitória depende a felicidade de um povo mártir. O teu Filho expulsou os vendilhões que profanavam o templo de Jerusalém, permite que o chefe de um povo agredido expulse os intrusos que profanaram o chão sagrado da sua pátria. Tem piedade de quem parte para o exílio de mãos vazias, e de quem vê a morte dos seus entes queridos, a destruição das suas casas, a perda dos seus bens… Tu também viste uma mãe a percorrer noventa quilómetros com o filho ao colo, outra a beijar o teu Filho numa estampa e um menino a arrastar a sacola pela estrada fora.

Tu és a Justiça, a Paz e o Amor. Tu és o mistério da salvação, e o teu Filho, Jesus Cristo, encarnado no meio dos homens por obra e graça do Espírito Santo, praticou na terra esses mesmos valores de Justiça, Paz e Amor. Curou a sogra de Pedro em Cafarnaum, consolou a viúva de Naim, pranteou e ressuscitou Lázaro, e depois sofreu a morte por causa dos nossos pecados. Sua mãe Maria chorou amargamente a morte do seu Filho, porque as mães vivem no próprio amor dos filhos. Não há mãe sem amor, nem eu Te estou a ensinar nada. E se Tu sofreste com a morte do teu Filho e com a dor da sua Mãe, lembra-Te, Senhor, que hoje, nesta hora em que Te escrevo, há milhares de mães a chorar a morte dos seus filhos. Por isso, pelo teu imenso poder, peço-Te que concedas a paz à Ucrânia, e eu serei imensamente rico!


Autor: Fernando Pinheiro
DM

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18 março 2022