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Atenção aos idosos e aos velhos

1. O Papa Francisco iniciou em 23 de fevereiro uma série de catequeses sobre o sentido e o valor da velhice. O que pretende com este conjunto de intervenções públicas, à quarta-feira, di-lo na parte final: «Com estas catequeses sobre a velhice gostaria de encorajar todos a investirem os seus pensamentos e afetos nos dons que ela tem em si e proporciona às outras idades da vida. A velhice é um presente para todas as idades da vida. É um dom de maturidade, de sabedoria. A Palavra de Deus ajudar-nos-á a discernir o sentido e o valor da velhice; que o Espírito Santo nos conceda também os sonhos e as visões de que necessitamos. E gostaria de salientar (…) que o importante não é apenas que o idoso ocupe o lugar da sabedoria que tem, de história vivida na sociedade, mas também que haja um diálogo, que fale com os jovens. Os jovens devem dialogar com os idosos, e os idosos com os jovens. E esta ponte será a transmissão de sabedoria à humanidade. Espero que estas reflexões sejam úteis para todos nós, (…), que no diálogo entre jovens e idosos os anciãos possam oferecer sonhos e os jovens possam recebê-los e levá-los por diante. Não esqueçamos que tanto na cultura familiar como na social os idosos são as raízes da árvore: têm toda a história ali, e os jovens são como as flores e os frutos. Se o sumo não vier, se não tiver este “soro” – digamos – das raízes, nunca poderão florescer. Não esqueçamos aquele poeta que já citei muitas vezes: “Tudo o que a árvore tem de florescido vem do que está enterrado” (Francisco Luis Bernárdez). Tudo o que uma sociedade tem de bom está relacionado com as raízes dos idosos. Por esta razão, nestas catequeses, gostaria que a figura do idoso fosse posta em evidência, que se compreendesse bem que o ancião não é um material de descarte: é uma bênção para a sociedade». 2. Ser idoso e ser velho são duas realidades que nem sempre coincidem. Considera-se velha uma pessoa que já deu o que tinha a dar. Alguém de quem se não espera nada. Alguém que passou ao rol dos sem-voz e já nem forças tem para protestar. Por isso se armazena num espaço (chamem-lhe lar ou o que quiserem) onde se arrumam pessoas como se fossem coisas inúteis. Onde o espaço se não ajusta às pessoas mas as pessoas têm de se ajustar ao espaço. É a sardinha obrigada a caber naquela lata. 3. Um idoso e um velho não deixam de ser pessoas: seres humanos a quem a sociedade muito deve e têm direitos que lhes devem ser respeitados. O pior que se pode fazer a um idoso ou a um velho é forçá-lo a desenraizar-se de tudo o que foram longos anos de vida. A cortar com tudo o que foi a sua existência. Obrigá-lo a um corte abrupto com o passado. Por isso se afirma que o lugar ideal para os idosos é a família. 4. Cuidar de um idoso não é fazer dele um ser inativo, sem vontade própria, que anda ao sabor dos gostos e dos interesses de quem manda. A sociedade consumista e tecnicizada em que vivemos corre o risco de ser uma sociedade desumana, e muitas vezes é-o. É necessário servir a pessoa e não servir-se dela. O primado da pessoa não deve ser apenas algo que se apregoa mas uma verdade que se pratica. Sempre. Os idosos e os velhos não merecem ser arrumados ou condenados a passar o dia diante de um aparelho de televisão.
Autor: Silva Araújo
DM

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10 março 2022