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“ASPIRAÇÕES”

Pretender ser presidente de uma hipotética região no país até poderá ser uma aspiração legítima. Porém, nesta altura e nos próximos tempos aquilo de que o país precisa é de menos tachos e tachinhos. Ou seja, o meu olfato diz-me que a pancada dos regionalistas tresanda a mais prebendas, corrupção, compadrio, amiguismo e, quiçá, a uma provável endogamia. Basta vermos alguns dos autarcas em último mandato e até mesmo companheiros de partido do recém-eleito líder do PSD, Luís Montenegro, a atirarem-se a ele com toda a gana dizendo que consideram a sua decisão pífia e de, enquanto reformador, ter parido um rato, ao declarar-se indisponível para referendar a Regionalização. E mais, que não só a consideram premente, como estão em desacordo. Começando, desde já, a perturbar à tão ansiada unidade do partido. Ora, sempre me manifestei não só cético aos novos feudos para experientes caciques autárquicos, como em relação ao disparate que foram as Uniões de Freguesias em que diziam que delas iriam resultar enormes benefícios para o país, tal como alguns políticos afirmam em relação à criação de regiões. Só que eu não os acho, como não conheço ninguém que nisso tenha sentido vantagens de vulto. E porque assim é, quando oiço certos políticos a anunciarem só benefícios para o país, não pesando nos contras mas nos prós da Regionalização, cheira-me a gato escondido com o rabo de fora. É que atrás da criação de novos cargos virão os altos vencimentos e, a seguir, as chorudas reformas e as milionárias subvenções vitalícias. Portugal é um pequeno país no mundo e dentro da Europa, com uma população a rondar a das cidades de Paris, Rio de Janeiro e outras, com uma dimensão territorial que não faz qualquer sentido dividir em regiões. Ademais, seria uma forma de fazer crescer a despesa pública em encargos com novos funcionários regionais e mais burocracia. Só mesmo por puro oportunismo, há quem afira tal decisão. Portanto, entendo bem o porquê desta temática conquistar adeptos entre as nossas edilidades e os atuais gestores em função nas CCDRN, a quem a sua implementação não só lhes daria imenso jeito, como proveito. A meu ver o líder socia democrata, neste momento, fez bem em se declarar indisponível para tal discussão pública, uma vez que há muito a fazer não só na reorganização e consolidação do seu partido, como no edifício público que se vem degradando a olhos vistos. Só depois de esgotadas todas as medidas de descentralização – a que, pelos vistos, este Governo socialista não lhes deita mão, para que não resultem é que seria de se partir para a etapa seguinte. Mas só após rigorosos cálculos e sérios estudos. Pelo que assim não sendo, sinto-me plenamente em sintonia com todos aqueles que comungam da minha argumentação. Portugal precisa é de acordar e não aceitar tudo aquilo que lhe é posto diante dos olhos. É que os interesses são muitos e cada vez mais. Isto, a julgar pelos que andam a procurar viver à custa do Estado, a fim de obter mais estatuto e novos proventos, desta feita com a Regionalização. Nada se importando que o país mirre. Porque o que importa são os tão almejados poleiros para os mesmos que se fartam de desbaratar recursos públicos, mas sempre colaborantes no apagar da história, da língua pátria e no denegrir do seu secular património que nos foi legado. Veja-se o que se passa com a criação de um simples Aeroporto, há mais de 50 anos na gaveta (junto ao socialismo), depois de se terem esfumado milhares de milhões de euros vindos de Bruxelas. Todos falam, dão palpites, avançam e voltam a recuar, sem localização à vista, quiçá, por mais 50. Quando em tempos de escassa tecnologia e zero fundos de apoio se fizeram aeroportos, bases aéreas, aeródromos, etc. em tempo record. Já reformar o SNS, a Justiça, Educação e Segurança Social isso, como não lhes dói, nem dá proventos, pouco importa. E o povo, sonolento, não desperta do sonho socialista – dos amanhãs que cantam – que lhe vem sendo impingido.      
Autor: Narciso Mendes
DM

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11 julho 2022