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As “virgens “ofendidas

Iniciou uma nova época e os graves problemas com que o futebol português se depara, há longos anos, continuam exatamente os mesmos.

A passividade, a inoperância, a falta de coragem e a incompetência de quem gere as entidades que tutelam o futebol mantêm-se. Parece que se institucionalizou a reação, ou seja, deixar as coisas acontecerem, fugir dos problemas, muitas vezes fingindo que não existem, e culpabilizar os outros por tudo o que de mau acontece, quando devia imperar um modelo de antecipação de problemas, tomando-se a iniciativa de procurar soluções que evitem a ocorrência desses mesmos problemas.

Um dos assuntos que tem estado na ordem do dia é a violência no desporto, decorrente das duas situações que aconteceram nas duas últimas jornadas, com duas crianças, cujos pais tiveram a “brilhante” ideia de assistir ao jogo da sua equipa (visitante), com os respetivos adereços clubísticos e na bancada reservada aos adeptos da equipa da visitada.

É por demais evidente que esse devia ser o procedimento normal, pois o futebol é um espetáculo bonito onde deveria prevalecer um ambiente saudável, sem quezílias nem irracionalidade. No entanto, também sabemos que nada tem sido feito para ser criado tal ambiente de diversão, de prazer, e, sobretudo, harmonia, pois os dirigentes máximos dos clubes têm fomentado esta “guerrilha” constante e os responsáveis das entidades que governam o futebol (Liga, Federação e Governo) simplesmente vêm a bola a passar-lhes ao lado.

Foi criada a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto, que mais parece a Autoridade para as Contraordenações, nada tendo feito para acabar com a violência.

Como acima foi referido, a reação é o “modus operandi”, e quando determinadas situações têm tempo de antena, então imediatamente aparece o presidente da Liga e o Secretário de Estado do Desporto, que mais parecem duas “virgens ofendidas” a condenar veementemente tais acontecimentos e a prometer medidas avulsas para estancar a violência. No entanto, o que se tem verificado é que pouco tempo depois tudo é esquecido – e nada é feito.

Dado que a solução para a maior parte dos problemas terá de passar forçosamente por imposição governamental, é tempo de o responsável do desporto pensar e executar um pacote de medidas que revolucione e ponha na ordem o futebol em Portugal, dado que contínuas medidas avulsas – aplicadas consoante os acontecimentos mais ou menos mediáticos – não resultam.

Como é meu procedimento habitual, para além de criticar, tento dar o meu contributo, sempre, com o intuito de melhorar o estado de coisas, pelo que nos próximos artigos assim o farei.


Autor: João Gomes
DM

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22 setembro 2022