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Apanhados 24

O uso da trotineta tem crescido na nossa cidade a um ritmo tal que começa a preocupar os cidadãos mais atentos e conscienciosos; e a razão desta assertividade assenta na insegurança, quer de peões, quer de utilizadores que a sua prática menos conveniente acarreta.

Então, ver trotinetas, nas zonas mais frequentadas por gente, miúda e graúda, apeada, ziguezagueando e volteando com gente muito jovem aos comandos, é uma dor de alma; e, mesmo não sendo nas zonas mais povoadas, ver tais besoiros elétricos voando pelos passeios, nem sempre suficientemente amplos, geram uma convivência peão/trotinetista demasiado perigosa.

E se pensarmos no número de bicicletas e de skates em crescente ascensão nas zonas pedonais, caso é para bradarmos aos céus para que depressa nos livrem deste flagelo; é que já frequentemente presenciado tenho cenas de arrepiar até os poucos cabelos de um careca tais são a incúria e loucura na utilização desbragada de tais apetrechos.

Pois bem, devido aos inúmeros acidentes que têm já acontecido e alguns de gravidade elevada em muitos países europeus, as autoridades avançam com medidas que orientem, regulem e disciplinem o uso destes veículos; e mormente porque entendem que as ações de sensibilização e aconselhamento dos seus utilizadores já não suficientes para prevenir os acidentes e, doa a quem doer, porque vão caindo em saco roto.

E, por isso, as regras que são definidas em países como a Dinamarca, a Alemanha, a Grécia, a Noruega, a Itália, a Suécia, a França e a Bélgica apontam já uma idade mínima, uma velocidade máxima, as vias de circulação próprias, a obrigatoriedade de seguro e o uso de capacete para a utilização de trotinetas; e na generalidade destes países estas regras são obrigatórias e o seu não cumprimento considerado é como infração grave – e seriamente punida por lei.

Ora, a pergunta que se impõe, no momento, é evidente e taxativa: e por cá como vamos tratando esta questão? Tanto quanto vejo e não uso óculos felizmente é à boa maneira portuguesa, isto é, deixando correr, encolhendo os ombros, assobiando para o lado e fingindo que é assunto de lana-caprina e, obviamente, sem urgência na agenda governamental.

A PRP (Prevenção Rodoviária Portuguesa) não se tem preocupado demasiado com o tema, bem como as empresas de aluguer de trotinetas que, apenas, vão aflorando questões pontuais como: proibir o seu uso a menores de 18 anos, a circulação obrigatória em ciclovias e a velocidade máxima exigida de 50 quilómetros hora; só que tudo não passa de recomendações, embora muito úteis e necessárias, pois a fiscalização de tais medidas e a devida infração se elas não forem cumpridas ou não existem ou são para inglês ver.

Agora, perante tamanha passividade e encolher de ombros das autoridades competentes para definir e impor as imprescindíveis regras de utilização de trotinetas, é caso para temermos um agravamento da situação conforme aumenta e é aconselhado o uso destes veículos; tanto mais sabendo e vendo nós que cada vez mais utilizados já vão sendo e à tripa forra por gentinha que ainda não tem a necessária noção do perigo que representa para si e para os outros o seu uso indisciplinado e leviano; ademais, já tenho visto muitas vezes dois jovens montados no mesmo veículo em franca e hilariante algazarra e brincadeira, fazendo piruetas e largando sonoras algaraviadas de quem não mede nem pressupõe o perigo que corre e igualmente o pode arremeter contra os peões.

E, se as barbas do vizinho já estão a arder, tempo é de pôr as nossas de molho; isto é chegou a hora de criar a legislação necessária que regule, imponha, disciplina, fiscalize e puna o uso de trotinetas para descanso de todos; e, já agora, também deve ser pensada e cria legislação para a utilização de bicicletas e de skates que, sinceramente, anda muito à balda ou seja sem rei nem roque.

Então, até de hoje a oito.


Autor: Dinis Salgado
DM

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16 março 2022