2. Mãos ao trabalho, tendo sempre em vista o bem comum, é dever que se impõe a todos: a vencedores e a vencidos.
Aos vencedores, para que não defraudem as expetativas de quem neles confiou e o mostrem com atos. Aos vencidos, para que analisem as causas da falta de confiança do eleitorado, corrijam o que há a corrigir e não deixem, no que lhes é devido e sem perderem a sua identidade, de colaborar com os vencedores, tendo em vista o tal bem comum.
3. No governo das autarquias – a isso me refiro hoje, muito particularmente – há poder e há oposição. Duas situações importantes.
Quem é poder, que o exerça como serviço à comunidade, e não como oportunidade para se servir e para servir os seus. Que se saiba rodear dos melhores colaboradores – dos mais competentes e dos mais honestos –, o que pode acontecer de nem sempre se encontrarem na sua roda de amigos ou no grupo dos que batem palmas.
Quem é oposição, que não hiberne para só aparecer nas próximas eleições. Compete-lhe acompanhar de perto a forma como o poder é exercido. Alertar para desvios e denunciar desmandos. Que não esteja sistematicamente no contra nem enverede por uma política de bota abaixo, mas contribua para um bom serviço, apontando lacunas que o bem comum exige sejam preenchidas.
A crítica construtiva é uma atividade que todas as pessoas de bem devem saber exercer. Há que fazer política séria, a sério e com seriedade.
4. Durante a campanha eleitoral houve a preocupação de contactar com as pessoas. Estas continuam a existir, com as suas carências e os seus anseios. Continuam a precisar de quem as visite, de quem as ouça, de quem seja porta-voz das suas legítimas aspirações.
Neste pormenor também os Meios de Comunicação Social têm uma função importante a desempenhar, competindo-lhes, mais do que serem pregoeiros dos homens do poder, serem a voz dos sem voz, sem terem receio de, com isso, incomodarem quem manda.
Recordo o que noutros tempos se dizia, quando se afirmava competir à comunicação social ser a boca do povo e a orelha do príncipe, e não ser a boca do príncipe para anestesiar o povo.
4. Falo, insistentemente, no bem comum. Deve ser essa a grande preocupação de quem está à frente de uma comunidade.
Solucionar problemas e contribuir para a melhoria das populações não consiste, é bom que se diga, em servir ideologias sacrificando-lhes as pessoas. Estas devem ser o centro das preocupações.
E entre as pessoas, os mais carenciados exigem uma atenção especial. Que toda a boca tenha pão. Que todos possuam trabalho digno e dignamente remunerado. Que todos se possam abrigar num lar decente. Que se atenda à educação, que deve visar a formação integral do ser humano e não a formatação das pessoas em obediência a padrões mais que discutíveis. Que se criem condições para que os casais possam realizar o sonho de serem pais.
Que os idosos sejam fraternalmente acolhidos e os doentes humanamente assistidos, pondo-se de lado a solução fácil e económica, mas criminosa, da eutanásia. Que se preste atenção às reais situações de pobreza, distinguindo a verdadeira da falsa necessidade, e se criem condições para que as pessoas deixem de precisar de sair à rua de mão estendida. Que se contribua para que as pessoas se libertem da ditadura da sociedade de consumo. Que todos possam andar na rua com as necessárias condições de segurança e se respeite o direito ao descanso. Que as pessoas sejam servidas e não usadas.
O bem comum, lembro ainda, exige uma gestão correta dos dinheiros públicos, dando provas da existência de uma verdadeira escala de valores e recusando a tentação de dar prioridade ao mais vistoso em detrimento do mais urgente e do mais necessário.
Autor: Silva Araújo
Ao trabalho!
DM
5 outubro 2017