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Ano novo, vida nova. Envelhecimento ativo e saudável!

Com o início do novo ano, novas metas, novos desejos se equacionam. Como médica de família, a temática da qualidade de vida e bem-estar da população tem sido alvo da minha atenção e interesse nos últimos anos. Preocupamo-nos com as diminutas taxas de natalidade, com a renovação das gerações, com o envelhecimento da população, mas não focamos a nossa atenção para o que é realmente preocupante, a qualidade de vida dos nossos idosos após a idade da reforma.

As consequências da inatividade e do sedentarismo nos mais idosos são conhecidas. Diferentes estudos demonstram que os idosos mais ativos têm menor risco de depressão, de demência, de quedas, de doenças cardiovasculares como a diabetes, acidente vascular cerebral, enfarte do miocárdio, e consequentemente menor mortalidade. No entanto, após a idade da reforma, uma grande parte da população permanece dias consecutivos em casa, isolados da família, dos amigos, da sociedade, deixando que os dias, semanas, meses desgastem o corpo e a mente.

Segundo dados do INE, Portugal em 2016 apresentava uma esperança média de vida de 81,3 anos, encontrando-se em 16º lugar entre 31 países da Europa. No entanto, não chega atingirmos elevados níveis de longevidade, se estes não forem de qualidade.

É um dever das entidades políticas, da comunidade, dos cuidados de saúde e das famílias, promoverem a inserção dos idosos em universidades séniores, em grupos culturais, órgãos associativos que estimulem atividades como a dança, a música, o canto, a realização de trabalhos manuais, de jardinagem, ações de solidariedade, passeios culturais. São estas as atividades que estimulam as funções cerebrais superiores, e evitam a depressão, a demência e outras doenças mentais.

Além da vertente lúdica, a prática de exercício físico assume-se como outra das áreas fundamentais do envelhecimento ativo. A atividade física regular, baseada nas preferências e necessidades do idoso melhoram a agilidade, a força muscular, o estado anímico e particularmente as atividades físicas de grupo são excelentes promotoras da comunicação e interação social.

Se queremos um envelhecimento saudável, a alimentação é outra das dimensões que não pode ser esquecida. Porque é idoso não tem que comer apenas pão e sopa à noite! A ingestão de proteína, em particular carne, peixe e ovo deverá fazer parte da refeição do almoço e jantar, mesmo que em pequena quantidade.

O consumo alimentar deverá ser proporcional ao desgaste de energia, no entanto as cinco refeições diárias deverão ser realizadas. Preocupamo-nos tanto com a alimentação das crianças, porque não olhamos com a mesma atenção para os cuidados alimentares dos nossos idosos?! Saber quem prepara as refeições, o que existe nas despensas, quem faz as compras, se ainda têm capacidade para confeção dos alimentos é essencial.

Aquilo que construímos hoje será o nosso futuro amanhã. Todos nós envelhecemos, é inevitável. Por isso, seremos muito mais felizes se conseguirmos praticar e fomentar um envelhecimento ativo e saudável.


Autor: Vera Peixoto
DM

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31 janeiro 2019