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Amor a Deus e ao Próximo

O cristianismo tornou-se uma referência religiosa ao longo de dois milénios, percorrendo caminhos diversificados no mundo cristão, marcando e deixando os princípios imanados de Cristo, embora com evolução doutrinária e dogmática através dos tempos, função do local, da etnografia dos povos e da evolução transmitida pelos Pastores da Igreja. Em Portugal, no período áureo dos Descobrimentos, uma das missões irrepetíveis foi levar aos continentes e aos povos longínquos a grandeza da fé cristã e a doutrina evangelizadora, com sacrifício e martírio, mas que foi transversal aos princípios da fé do cristianismo. Esse caminho prosseguiu através dos séculos e até aos nossos dias, como se pode verificar em continentes, países longínquos e ainda parcialmente desenvolvidos. Os missionários foram os ícones da transmissão da fé cristã, levando a sua missão a regiões muito isoladas ou ainda com dificuldade de penetração, para prosseguir com o espírito de entrega aos outros numa mensagem de abertura e proximidade, dentro da transmissão do amor ao próximo. Esta mensagem imanente da essência do cristianismo também foi levada muitas vezes a efeito por leigos, que no decorrer da atividade profissional, procuraram conviver com as etnias e com religiões diferentes, com proximidade e respeito, colaborando muitas vezes com missões espalhadas por países transcontinentais subdesenvolvidos ou de difícil acessibilidade. Tem sido este caminho milenário da religião católica, o motivador da função de pastores da Igreja, oriundos de famílias diferenciadas, que desde a juventude ou então já com percursos profissionais, assumem a sua atividade religiosa, com grande desprendimento, servindo Cristo e a Igreja Católica, sob a orientação canónica do Pastor da Igreja, em exercício, o Santo Padre. Como em qualquer profissão, todos podemos cometer erros, pois faz parte do ser humano, embora aos padres e superiores hierárquicos seja exigido um maior rigor da sua pastoral canónica, mas com humildade e rigor tudo pode ser ultrapassado. Não é justo que se explore e dê grande impacto a situações que podem ocorrer pontualmente, como recentemente a referida pela comunicação social em relação ao Cardeal D. Manuel Clemente, um Pastor da Igreja com um percurso de valor e princípios, abdicando de uma vida profissional para transmitir aos cristãos a essência da fé cristã, com amor ao próximo e grande sentido de sacrifício, tornando-se uma referência da Igreja Católica em Portugal. Sempre seguindo o caminho correto ligado ao direito canónico, com uma dignidade e elevação digna de merecer o respeito da comunicação social. Erros todos cometemos, mas no seu caso, não merecia o impacto que teve, sendo de lamentar que terceiros aproveitem certas situações para criar especulação e denegrir o caminho da Igreja Católica, num período já conturbado que o mundo atravessa e que pode conduzir a situações populistas destrutivas, face à inculturação que a sociedade atravessa. Por outro lado, alguma comunicação social devia dar mais projeção à mais valia social, caritativa e canónica da Igreja Episcopal, aos projetos humanitários e de proteção à desigualdade, esta originada por políticas aparentes de boa gestão social, informando sobre o aumento contínuo de crimes de natureza diversa, que crescem exponencialmente no país e no mundo globalizado e que são muitas vezes ocultados.  
Autor: Bernardo Reis
DM

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14 agosto 2022