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AGOSTO: MARIA SANTÍSSIMA, COMPANHEIRA DAS NOSSAS FÉRIAS

É este mês, iniciado há poucos dias, um tempo especial de descanso para muitos de nós, portugueses. Quanta gente escolhe este período do ano para fazer as suas férias, sair do ambiente normal de trabalho e labuta, recompor as forças, mudar de ambiente e de horário, enfim, procurar um espaço onde possa revigorar todas as suas energias, já que um novo ano laboral o espera e é necessário enfrentá-lo com ânimo e determinação.

No entanto, se é cristão, não pode esquecer-se de que Deus, segundo o Génesis, nos deu o bom exemplo de que há necessidade de repouso. Como nesse livro bíblico se escreve: “Deus, ao sétimo dia, repousou do trabalho por Ele realizado”(Gén 2, 2). A sua conduta deve ser seguida por todos, sabendo agradecer-Lhe este traço tão relevante da sua obra criadora. O trabalho bem feito, merece, pois, que o homem saia das suas preocupações quotidianas e espaireça convenientemente. O que não significa, de modo algum, que se encerre sobre si mesmo, esqueça todas as suas obrigações, e procure, com descarado egoísmo, tratar da sua pessoa e nada mais. Deus deve estar presente em todas as circunstâncias do nosso dia a dia, seja numa época laboral mais exigente, seja numa época de sossego e recomposição de energias. Deus, mais do que ninguém, quer o nosso bem, e dá-nos sempre muitas referências da sua amizade, propondo-nos, ao longo do ano litúrgico, inúmeras solicitações que nos recordam que Ele está constantemente atento às nossas necessidades. Com frequência, recorre à pessoa da Sua Mãe, Maria Santíssima, que Cristo nos doou, também como Mãe, nos últimos momentos da Cruz, através do seu discípulo predilecto, João Evangelista: “Mulher, aí tens o teu filho”. Depois, disse ao discípulo: “Eis aí a tua mãe”. E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa” (Jo, 19, 36-37).

Temos, pois, todos, de proceder com Nossa Senhora como o apóstolo, que a acolheu no seu lar, não se separando mais dela, até que o Senhor a recebeu no Céu, em corpo e alma. Ora, de igual modo, não devemos partir para férias, deixando a Mãe de Jesus e de João na nossa casa, esquecida e abandonada, sem lhe prestarmos a atenção e a honra devidas. Seria uma injustiça para quem, como se diz numa oração da Igreja, “fala bem de nós na presença de Deus”. Maria assumiu a nossa maternidade na Cruz, por incumbência do seu Filho e, como todas as mães, é capaz de puxar pela imaginação para tecer algum louvor a nosso respeito, mesmo quando – e Deus, que é omnisciente, sabe-o melhor do que qualquer outro ser –. tal elogio só surge pelo amor materno da Virgem Santíssima e não pelo mérito de quem é beneficiado pelas suas palavras

No mês de Agosto, várias referências litúrgicas podem ou puderam – duas ocorreram nos dias já passados 2 e 5 (escrevo estas linhas a 6/08) – chamar-nos a atenção para a protecção maternal de Maria. Assim, na primeira, sobretudo na família franciscana, celebra-se Nossa Senhora doa Anjos da Porciúncula, que nos lembra a aparição de Jesus a S. Francisco de Assis (em Julho de 2016), quando este rezava piedosamente nessa pequena capela. O santo, perante a disposição do Senhor lhe conceder algum benefício, solicita que as pessoas, devidamente arrependidas e perdoadas das suas faltas, que aí fossem rezar, recebessem, ao fim e ao cabo, a indulgência plenária dos seus pecados. Cristo mostra-se favorável a essa petição, mas diz-lhe que compete ao Papa conceder tal licença. O Santo Padre, Onório II, então em Perúgia, aceitou a solicitação de S. Francisco. E na outra data citada, celebra-se Nossa Senhora das Neves, ou mais propriamente, a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, de Roma, que corresponde à construção, em pleno século IV, no pontificado do Papa Libório, de um templo em honra de Maria Santíssima, por iniciativa dum patrício, João, que quis deixar a sua fortuna a Nossa Senhora. Esta sugere-lhe o lugar da basílica – o Monte Esquilino – que, segundo a tradição, apareceu, como sinal mariano elucidativo, completamente coberto de neve numa noite de Agosto, por sinal o mês mais quente da “Cidade Eterna”.

Como bons filhos, não a esqueçamos neste tempo de descanso estival. No próximo artigo, abordarei outras duas celebrações litúrgicas em honra de Nossa Senhora em Agosto: A Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria aos Céus, dia 15 e ainda a memória da Virgem Santa Maria Rainha, dia 22.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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8 agosto 2020