twitter

Agora ou nunca

O socialismo é um sistema político que só funciona no Céu, onde não precisam dele. E no Inferno, onde ele já existe”. Ronald Reagan - 40. Presidente americano (1911-2004)   1 - O que se pode esperar deste governo, agora com maioria absoluta, para os próximos quatro anos? Mais do mesmo? Ou seja, a ver a dívida pública real a alcançar recordes em cima de recordes? A descartar os défices - financeiro, comercial, energético - entre outros que disparam para valores impróprios de um país da União Europeia? A assistir impávido e sereno ao empobrecimento do país e das pessoas? A aceitar resignadamente a situação de falta de competitividade empresarial que coloca o país na cauda da tabela do ranking de desenvolvimento social? A lidar com a baixa produtividade que nos leva a viver, ad eternum, da pedinchice? A cruzar os braços à “fuga” dos jovens “cérebros” para outras paragens mais atractivas sob o ponto de vista salarial e mais conforme as suas potencialidades? A continuar a injectar propaganda a rodos, com sorrisos e com fantasias suficientemente engalanadas?   2 - Assim não! Assim, não vamos a lado nenhum. É tempo de virar a página da estagnação económica bem cristalizada desde o ano 2000. Ainda é tempo de não esquecer o que se passou em 2008 com Sócrates, pois os tempos que vêm, apontam para grandes dificuldades. As incertezas social e económica e as ajudas à Ucrânia para se defender do terror putinista vão complicar o futuro do país e da Europa. É preciso que os governantes tenham muito discernimento e, mais ainda, cautelas para não se entrar num espiral recessivo generalizado.   3 - “Agora ou nunca” - é nestes termos dualistas que a elite político-económica da nação coloca a fasquia para “exigir” a quem nos governa uma atitude e uma prática mobilizadoras, de seriedade e de responsabilidade acrescidas no sentido linear de não se perder mais esta oportunidade soberana que a União Europeia nos concede de mãos abertas para dar a volta ao estado deprimente da economia e da sociedade no seu todo. Os fundos europeus e o PRR somam mais de 52 mil milhões de euros para serem aplicados até 2027. É muito dinheiro que não poderá ser desperdiçado com falcatruas, em desvios, em más decisões e em péssimos investimentos. O país já esbanjou demais. Há muita boa gente da finança, da economia e da política que coloca muitas e sérias reservas à transparência e à eficácia da execução desta pipa de massa. Vamos ver onde isto vai desaguar. O histórico não é favorável, nem exemplar.   4 - Com os juros sobre pressão a massacrar uma dívida pública monstruosa e com a subida galopante da inflação, a situação nacional compõe-se de um ramalhete pouco risonho referente à recuperação económica tão necessária e tão premente. Para melhor enrolar a narrativa socialista, convém reintroduzir no assunto da recuperação, as moratórias das pessoas singulares e colectivas para se ter a verdadeira noção do estado da nação. O cenário ainda se adensa mais com a conjuntura bélica e explosiva, no Leste Europeu, onde a Rússia, o maior fornecedor de gás e de petróleo à Europa, arranjou sarilhos graúdos com a Ucrânia, conflito que vai acelerar ainda mais a subida dos combustíveis fósseis, do custo de vida e complicar a desejada retoma.   5 - Para fazer face a este emaranhado de problemas que está diante dos nossos olhos, seria preciso que o país tivesse um governo de alto gabarito, de coragem e determinado para incrementar um plano de reformas arrojado. É preciso atenuar a despesa pública, abrandar a carga fiscal e cativar investimento privado suficiente, de modo que a economia seja capaz de criar mais e melhor emprego e gerar mais riqueza. Se nos bons tempos da conjuntura económica - 2015-2019 - o governo não foi capaz de aproveitar o período altamente favorável, não vai ser agora com os indicadores a raspar cenários deprimidos que a consolidação das contas públicas e o crescimento económico real se farão. No bom tempo, Portugal foi ultrapassado pelas economias do Leste. Agora, com as chagas do período pandémico e com as feridas de uma guerra estúpida para sarar e com um clima económico carregado de incertezas, a economia nacional sofrerá os efeitos do natural desgaste provocado por incapacidade governativa que só mastigou e adiou os problemas sérios no país.
Autor: Armindo Oliveira
DM

DM

20 março 2022