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Afinal, quem tem razão?

Sempre acreditei que o conhecimento e a experiência são imprescindíveis na vida das pessoas. Talvez por isso, nunca fui seduzido por artigos na Internet sobre matérias que, em meu entendimento, estudiosos ou profissionais competentes estudam e desenvolvem acompanhando o progresso e evolução nas mais diversas áreas do conhecimento. Diferente da política onde cada um desenvolve ideias obedecendo ao programa e interesses do partido, embora por vezes reforçando com teorias filosóficas os seus argumentos, sabemos que o objetivo é conseguir ser poder e o caminho a percorrer supõe conquistar pessoas para apoiarem as suas ideias e nas eleições obter o maior número de votos possíveis. Daí as promessas, os cenários otimistas, as críticas aos outros candidatos, a procura de conquistar novos simpatizantes ou aderentes. Cenário bem diferente será na Educação, na Saúde, nas Empresas e Instituições onde cada profissional desenvolve a sua atividade com formação profissional, estudos, procura de informação, e conhecimento, cujas competências foram e são avaliadas. Questionar um profissional com formação específica para o exercício de uma profissão ou atividade, exige muito mais que leitura de textos na "Internet, Fóruns, ou Blogs sociais," por muito informativos e até instrutivos que estes possam ser, mas parecem inadequados para questionar com seus fundamentos áreas de competência e conhecimento próprios de profissionais, estudiosos e competentes que exercem a sua atividade. O exemplo mais simples acontece quando o paciente sugere ao médico um medicamento para a sua doença, ou o pai do aluno questiona o professor numa resposta dada erradamente pelo filho num teste, ou ainda quando se apregoam resultados de determinado medicamento apenas porque alguém o terá referido num desses sites sociais. Subjacente a tudo isto parece estar alguma perda de confiança nas pessoas, ou então esses ataques ao conhecimento estabelecido e a forma como disseminam informação errada pelo público em geral são por vezes divertidos. No Livro " A Morte da Competência, o autor Tom Nichls" escreve a determinado passo: “Os humoristas dos talk shows do serão inventaram uma indústria a fazer perguntas às pessoas que revelam a sua ignorância em relação às ideias que defendem fervorosamente, a sua fixação com as modas e a sua incapacidade de admitir que não sabem nada sobre temas da atualidade». Por exemplo, não vem nenhum mal ao mundo quando as pessoas afirmam eloquentemente que evitam o glúten e depois são obrigada a admitir que não fazem a mínima ideia do que seja o glúten. Evidentemente, não questiono a utilidade das redes sociais e de todo não ponho em causa a veracidadeou não do que lá se diz, apenas sugiro que devemos dar voz à ciência e aos profissionais a quem recorremos, confiando no seu conhecimento, experiência e competência. Errar é humano mas temos de confiar naqueles a quem recorremos, sem lhes pretender dizer antecipadamente ou sugerir o que devem fazer.
Autor: J. Carlos Queiroz
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4 setembro 2022