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A violência no futebol

Há cerca de um ano, foi realizada uma reunião, presidida pelo secretário de Estado da Administração Interna e pelo Secretário de Estado do Desporto, que contou ainda com a presença das Forças de Segurança (GNR e PSP), da Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto, da Federação Portuguesa de Futebol, e da Liga Portugal, e que teve como mote a abordagem das questões relacionadas com a segurança nos estádios de futebol. Pelos vistos, e dado que nada mais foi feito, somos levados a crer que a única preocupação foi fazer cumprir a lei, relativamente às zonas com condições especiais de acesso e permanência de adeptos, como se tal fosse a solução milagrosa para resolver o problema da violência nos estádios, esquecendo-se que tal também se verifica fora destes. É difícil de entender tamanha incompetência e passividade no tratamento de questões com a importância destes assuntos relacionados com a segurança. Como é habitual, só depois de acontecerem situações graves (como aquela que se verificou este fim de semana) é que as entidades se lembram que o problema existe, e lá vem alguém a público, de semblante contristado, com as declarações do costume, referindo que, agora sim (!), vão ser apresentadas propostas concretas para combater a violência no futebol. Mais do mesmo. Em quase dois anos de ausência de público nos estádios, e supostamente uma altura excelente para debater o assunto, implementando depois as medidas de forma gradual na retoma, o trabalho foi exatamente nulo. E o diagnóstico está feito, só faltando mesmo a vontade e a coragem para reduzir drasticamente este problema, que coarta o direito de todos desfrutarem de um bonito espetáculo desportivo – em segurança. A Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência tem tido a sua atuação centrada na reação e não na prevenção. Não tenho dúvidas de que esta entidade deveria ser a coordenadora, com plenos poderes, para ir mais além nas suas funções e erradicar de vez este problema, responsabilizando e envolvendo de forma contínua todos os intervenientes, incluindo, obviamente, os presidentes dos clubes. Na primeira metade da época, já se verificam números preocupantes em termos de incidentes, aproximando-se do pico máximo, que se verificou na época de 2018/2019. Por fim, é importante salientar que já se verificou noutros países a interdição dos estádios para os adeptos visitantes, e/ou vários jogos realizados à porta fechada. Afinal, a ideia de que Portugal é um país de brandos costumes, em que todos convivem de forma pacífica, tolerante e sem excessos, não se verifica em todos os quadrantes, e quando isso não acontece é preciso ter mão pesada.
Autor: João Gomes
DM

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24 março 2022