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A unidade de cuidados intensivos de cardiologia – Hospital de Braga e eu

Pois vou remar contra a maré!

No dia 21 de Março p.p., a meio da tarde, fui acometido por um “notável” Enfarte Agudo do Miocárdio. Fiquei de tal modo atordoado que não fui capaz de perceber (tinha a obrigação de saber) o que me estava a acontecer! As dores violentíssimas que pareciam rebentar-me o tórax por estilhaços de vidro expelidos por um vulcão, as vertigens, a asfixia, os vómitos… puseram-me “perdido” sem saber o que estava a suceder-me.

Quis Deus que estivesse em casa com minha Mulher, que logo se apercebeu (meu verdadeiro Anjo da Guarda!) e pediu o apoio do INEM. Poucos minutos depois (não poderia ser mais rápido) estavam técnicos junto a mim. Com atenção, cuidado e muita calma trataram de me encaminhar para a Urgência do Hospital de Braga. Lamento não ter tido a presença para saber os seus nomes. Teria o maior gosto em aqui os referir e escrever aos seus superiores pela altíssima eficiência destes seus técnicos.

Mereciam um elogio muito grande e sentido, sabendo eu que trabalham em condições precárias. Se me lerem, aqui fica exarada a minha eterna gratidão, pois na situação grave em que me encontrava, os segundos são determinantes.

Depois, um pouco inconsciente, na Urgência, fui atendido por profissionais atenciosos e fui levado para a Unidade de Cuidados Intensivos de Cardiologia. 

Quando recuperei a plena consciência pude ver a atenção, prontidão, eficiência e… muita paciência com que fui tratado dia e noite: médicos, enfermeiros e auxiliares foram inexcedíveis numa atenção permanente à minha doença. E pude ver que se passava o mesmo com os outros meus “companheiros” de desdita. Um serviço excepcional!

Depois, fui levado para uma unidade onde me fizeram um cateterismo e a implantação de dois “stents” nas coronárias entupidas a 90%. Uma equipa de jovens, francamente competentes e com um superlativo humanismo. O médico que me fez esta “habilidade”, que me deixou pasmado com o que me fizeram, merece a minha referência pela atenção que me dedicou e as explicações que me foi dando à medida que tudo se desenrolava.

Que bem me senti, ao ser tratado como pessoa que tem o direito a que lhe digam o que estão a fazer! Também não sei o seu nome nem de nenhum dos outros membros da equipa. Queria dizer-lhes da minha mais profunda gratidão e pedir-lhes que continuem assim!

Quando saí desta Unidade e passei para a Enfermaria, tenho que dizer o mesmo: eficiência, humanidade, competência e, como disse mais acima, ... muita paciência.

Devo uma palavra às palavras amigas e serenamente animadoras do Capelão, o meu querido amigo, P.e Doutor Dias Pereira.

Sofri (e ainda não estou liberto deste pesadelo), mas tenho a sensação, a certeza, de que esta Unidade me ficou gravada no coração.

Creio que não haverá muito mais Unidades como esta. As pessoas que nela trabalham sabem que a Pessoa Humana frágil deve ser o centro das atenções. 

A minha gratidão eterna à Luísa, que teve a imediata intuição do que se estava a passar comigo e, tomou com grande rapidez, a atitude que tomou.

A minha gratidão aos técnicos do INEM atenciosos, “calmantes” comigo e despachados

A minha gratidão a todos os que de mim se ocuparam no Hospital de Braga sem esquecer quem me preparou as refeições.

… E como era dia de S. Bento, a minha gratidão ao santo Pai e Padroeiro da Europa por quem tenho um carinho muito forte.

Finalmente, “the last but not the least”, a presença dos meus filhos que com ternura me deram ânimo. Até o Diogo, da Arábia Saudita se fez presente, foi para mim um grande conforto.


Autor: Carlos Aguiar Gomes
DM

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26 maio 2017