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A postura imperialista do PCP

António Costa é um homem de sorte e o mesmo se diga do Partido Socialista. Hoje, há uma maioria absoluta, mas a situação já esteve periclitante para um e outro antes da pandemia ter chegado. Na fita do tempo a realidade é que enfrentaram dificuldades, que o medo geral da população quanto ao que se estava a passar limpou. Mas, ainda antes, a sorte esteve do lado dos socialistas e do seu secretário-geral. Costa dormiu com o inimigo, não sabendo ou não querendo saber, estabeleceu parcerias com ele para enfrentar a direita, convencido, admito eu, de que todos os subscritores dos acordos escritos eram confiáveis. No Mundo não se falava na escalada de guerra vinda da Rússia e Costa chegou a ter razões para pensar que tinha amestrado os partidos que privilegiara para a governação minoritária, mas estável do país. Se Costa não tivesse sido ambicioso e não tivesse provocado eleições antecipadas, estaria hoje em grandes dificuldades. Como explicaria estar concubinado com a esquerda (?) que defende intransigentemente a invasão de um país por outro, sem mais nem menos, só por que quer alargar a sua geografia, apoderar-se da riqueza do vizinho?

Ao contrário de Costa, Jerónimo de Sousa e os comunistas autorizados revelaram-se e ficaram em muito maus lençóis. Por iniciativa própria. Sabendo o quão difícil seria o Partido Comunista Português ganhar, alguma vez, as eleições legislativas, mesmo assim, são várias as perguntas que não nos deixam de preocupar. Como seria um governo chefiado por Jerónimo de Sousa ou outro qualquer dirigente comunista? Será que promoveriam uma sociedade sem classes? Ah, e a liberdade individual seria aceite ou a censura se implantaria para defender a ideologia oficial? A realidade vai esclarecendo, felizmente para nós, ao contrário do que aconteceu e vai acontecendo com outros. Ninguém mais esclarecido em Portugal votará no partido da foice e do martelo, a não ser os mais próximos da nomenclatura e alguns extremistas. Já verificamos que esses símbolos só serviriam um dia para concretizar uma ditadura tal qual a de Putin. O modelo é a Rússia e é para seguir, doutro jeito a explicação para o que está a acontecer num país do leste europeu seria outra. Já vimos que há sintonia na explicação, o que é ainda mais grave. Que moralidade terá agora o Partido Comunista Português, depois da defesa que fez da iniciativa russa na Ucrânia, de criticar e até querer fora do espectro político português um partido que intitula de extrema direita? Obviamente, nenhuma.

Pessoalmente, estranhei a postura imperialista do PCP. Sabemos agora que se a Rússia um dia nos viesse invadir, teríamos certamente a ajuda da NATO, mas contaríamos com adversários internos. A nossa sorte é que estes serão cada vez menos, pois muitos portugueses mudaram de opinião quanto ao Partido Comunista Português nos últimos dias, considerando o seu lado imperialista e bélico. O Chega pode ficar tranquilo porque deixou de ser, pelo menos a partir do início da guerra na Ucrânia, o partido mais extremista representado no Parlamento. Felizmente, há comunistas desalinhados que chamam ao posicionamento do PCP de “cegueira” e de “fixação”. Na verdade, onde está “a autonomia dos povos” da “alma comunista”, para utilizar as palavras de um ex-comunista? Muitos acharão que se têm enganado ao votarem em Jerónimo e companhia. E assim, de derrota em derrota e ainda com casos como este de não achar nada de errado do lado da Rússia, o PCP vai transformar-se num partido insignificante. Nem o seu lado sindical lhe vai valer. O povo há-de ajustar as suas preferências e apostar noutras opções. Alguém lhe chamou “cambada de filhos de Putin” e quem o fez lá terá as suas razões. Tem sorte de, por cá, se praticar a democracia, caso contrário ficaria sem representação na nova Assembleia da República, apesar de estar do lado de quem não respeita nem a soberania de um Estado independente nem os princípios básicos do direito internacional.


Autor: Luís Martins
DM

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8 março 2022