twitter

A outra “poluição”

Nunca o mundo da política esteve tão envolto em mentiras e falsidades como nos dias que correm. O que quer dizer que a verdade anda deveras arredada da mente e da boca de uma grande parte das pessoas, sobretudo daquelas que têm o dever e a obrigação de, enquanto ocupantes de cargos públicos, usarem de toda a lealdade e transparência para com os seus eleitores. Só que esta postura é coisa rara, tais são os jogos de interesses dentro do círculo de amigos, do mesmo partido, que os aliciam a engendrar as mais variadas artimanhas. Daí, não vislumbrarmos quem, nos dias de hoje, nos fale verdade. O mesmo se vai passando com este Governo que procura abafar, com propaganda e justificações, os erros que vem cometendo; a desorientação de que padece e a desastrosa gestão que faz. Sendo a opacidade, inércia e imobilismo a causa de não ter executado tudo aquilo que devia – em termos de reformar o país – e não fez. Isto, numa fase de maioria absoluta que está a ser desperdiçada para tudo quanto urge ser-lhe dada a volta. Situação maioritária, de um só partido, que poderemos não voltar a ter tão cedo, mas para a qual se vai aventando a hipótese de uma futura geringonça à esquerda, ou à direita. Qual quê, se já todos vimos que o país não anda para a frente, tal foi a última experiência – PS e extrema-esquerda – que deixou Portugal na cauda da Europa? Ora, se por um lado se diz que o povo português é um povo esclarecido, por outro dá sinais de gostar de ser enganado com mentiras travestidas de verdade, ao votar nesta marmelada e na caldeirada de engulhos, que lhe vêm colocando à frente dos olhos. É que vamos a caminho de 50 anos de democracia em que, pela primeira vez, nos falaram no eldorado do socialismo e não o largamos. Nem por sabermos que outros países, outrora atrás do nosso e agora no plutão da frente, arrumaram com tal ideologia. Está visto que o pessoal gosta é que de quem lhe minta; lhe transmita inverdades, desde que com um sorriso nos lábios; crie ilusões, ainda que sentindo na pele a austeridade encapotada, sem que lha revelem, dissimulando a verdade de que não haverá socialismo se não for criada riqueza para distribuir, já que acabado o dinheiro ele fina-se; de que não havendo empresas não há emprego, nem impostos para pagar a máquina trituradora das finanças do Estado; nem investimentos públicos. E o que faz o dr. Costa? Dá murros no estômago ao setor empresarial privado sempre que, este, exibe lucros, em vez de os descarregar no saco sem fundo da TAP. O povo, em vez de embarcar nas palavras bonitas, beijos, abraços e selfies, deveria era atentar nas “confissões” de Santo Agostinho: – “não devemos ter algo como verdadeiro pelo facto de ser dito eloquentemente. Nem como falso por ser expresso em linguagem rude. Do mesmo modo que não o devemos julgar verdadeiro por ser anunciado de um modo inculto, nem falso por ser proposto em estilo elegante. A verdade pode ser servida como os bons alimentos: em pratos de loiça fina, ou grosseira”. Há verdades que por não darem jeito são, intencionalmente, ocultadas às pessoas, fazendo-as crer de que não são relevantes. Veja-se o que se passa com a nossa Comunicação Social, quase toda ela alinhada pelo discurso do Governo e, recentemente, arrasada pelo sociólogo, dr. António Barreto: – “é simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias dos três ou quatro canais de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera […]. A vulgaridade é sinal de verdade […]. A submissão ao poder e aos partidos é evidente e quem manda nos noticiários são os partidos políticos, os ministros […] Quase não há comentadores isentos [...]. A par da “poluição” do ambiente, uma outra nos afeta: a da mentira e falsidade que contamina os bons princípios da verdade e transparência. A qual, quase sem nos darmos conta, vai contaminando as nossas vidas e o regime democrático que nos haviam prometido livre de agentes poluidores, ou seja, de mentirosos.
Autor: Narciso Mendes
DM

DM

29 agosto 2022