Aideia da verdade, tratada ao longo dos tempos por muitos pensadores e filósofos, é muito problemática porque, quase sempre, para cada um de nós é simultaneamente familiar e misteriosa. A verdade é problemática também porque é indivisível, ou é ou não é. Não há meio-termo ou graduação entre a verdade e a não verdade.
Apenas no nosso conhecimento pode haver graduação ou relatividade da verdade em nós. Deste modo estamos perante a probabilidade da verdade quando dizemos, por exemplo, que uma determinada afirmação ou interpretação é mais ou menos verdadeira que a outra.
Significa isso que a nossa aproximação da verdade em si é muitas vezes gradual e, por isso, os nossos juízos são consequentemente relativos e não refletem a verdade na sua totalidade. Havendo divergências ou graduação elas dão-se não na verdade em si mas na verdade em nós, isto é, no conhecimento da real verdade.
Presentemente em Portugal as verdades estão extremamente condicionadas aos conceitos das ideologias. Na ideologia, principalmente na mais sectária, não há abertura à verdade, há sim um sistema fechado, autossuficiente, em que se evita a crítica e mesmo a autocrítica. Aos ideólogos não interessa a verdade, mas sim a sua verdade.
Esta ideologia sectária, atualmente a contribuir para o poder em Portugal, manipula a verdade em função dos seus interesses como, nomeadamente, o caso da Caixa Geral de Depósitos. Faz do verdeiro falso e do falso verdadeiro. Impõe aos portugueses a sua verdade sacrificando e relativizando tudo ao absoluto dos interesses que só a eles servem.
Impõe e insistem na aprovação de leis sem verdade, ou de verdades falaciosas, que apenas refletem os seus conceitos ideológicos particulares e não dos valores imutáveis e universais do Homem. São as designadas políticas fraturantes da sociedade, como a não diferenciação do casamento civil entre uma mulher e um homem e o casamento de pessoas do mesmo sexo, bem como a igualdade na adoção de crianças.
É o aborto quase livre, mesmo que por motivos económicos, com a morte de centenas e centenas de indefesas crianças. São a insistência na legalização da eutanásia e a chamada “ideologia do género”, disfarçadamente em vigor no sistema de ensino.
Face à realidade do mundo, das coisas e dos factos, a nossa verdade ou a verdade em nós varia de pessoa para pessoa e um conhecimento perfeito da verdade única, totalmente despida de contradições, necessariamente seria um conhecimento Divino. Só em Deus, espírito puro e pura transparência, existe a absoluta coincidência da Verdade em si e da verdade conhecida.
Um discípulo e apóstolo de Jesus Cristo, João Evangelista, traz ao nosso conhecimento que Pilatos, governador da província romana da Judeia, nomeado governador pelo imperador romano Tibério César, depois de perguntar a Jesus se era o rei dos judeus, Jesus Cristo respondeu-lhe: “Sim, sou Rei, mas não deste mundo. Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da Verdade; Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz”.
Quanto mais profundo for o nosso conhecimento, quanto mais conhecermos a história da civilização ou história da humanidade, mais próximos poderemos estar da realidade misteriosa do próprio Homem em si e da Verdade. Um dos maiores historiadores da sua época, Flávio Josefo, 37 a 100 d.C., judeu, que também obedecia aos ditames do Império Romano, conviveu e escutou muitas pessoas que conheceram pessoalmente Jesus Cristo.
Na época, toda a nomenclatura dirigente do Império Romano perseguia e combatia ferozmente o Cristianismo. Flávio Josefo, na sua narração independente de todos os factos importantes da época, trás até nós, também, o conhecimento histórico da vida de Jesus de Nazaré.
Independentemente da sua condição de judeu e romano, Flávio Josefo diz-nos que Jesus de Nazaré era de facto um Homem sábio, que ensinava e pregava a Verdade, que era o verdadeiro Cristo e, como tal, o Deus feito Homem. Diz-nos ainda que Jesus Cristo foi crucificado e morto na cruz mas que Ressuscitou ao terceiro dia
Para todos aqueles que não acreditam, que não conhecem nem manifestam vontade de livremente conhecer as Verdades dos Evangelhos de Jesus Cristo, ao menos que conheçam alguma parte da história que fundamenta de forma independente e credível a transcendentalidade do Homem que é Deus, encarnado em Jesus Cristo, como via para a única certeza da Verdade.
Autor: Abel de Freitas Amorim
A nossa verdade e a verdade
DM
13 fevereiro 2019