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A natalidade começou a preocupar os nossos políticos

Parece que os nossos políticos, que neste momento mantêm o poder de governar o país, começaram a considerar, finalmente, que existe um problema redundante na nossa sociedade: a natalidade.

Para bom entendedor, Portugal está a ter cada vez uma maior disparidade entre o número de idosos e o número de jovens. Morre muita gente, é certo, mas os óbitos não são suficientes para que os números da natalidade assegurem uma nação com futuro garantido.

Uma sociedade, para ter continuidade, necessita de ponderar positivamente o número de nascituros. Tendo consciência de que se há pouca gente que vem ao mundo, a tendência reverte para uma pirâmide de carácter invertido, onde o peso da ancianidade se torna um fardo que a sociedade tem muita dificuldade em aguentar.

Tanto mais que a longevidade está a aumentar constantemente, pelo que o número de idosos sobe sem parar, enquanto o número de nascituros apresenta índices muito modestos.

Não estamos a considerar o problema da gente com mais idade como uma espécie de mundo soturno, indesejável e maléfico para a nossa sociedade. O que é bom ponderar é que se os anciãos têm o direito de existir e viver na sociedade onde trabalharam e ajudaram a construir – ninguém lhes nega essa prerrogativa – há outros seres humanos, tão humanos como eles e como todos nós, a quem a sociedade, com as suas leis, torna como uma espécie de seres indesejáveis, de categoria inferior ao homem que vive no nosso meio, e que podem ser despachados como uma mercadoria indesejada ou nociva.

Referimo-nos àqueles nossos congéneres que são mortos no seio materno, sem dó nem piedade, por vontade de quem os concebeu. As leis assim o permitem e com facilidade tornam essa pena de morte numa rotina civilizada, que o estado com o dinheiro de todos nós financia ou, pelo menos, favorece.

Quantos seres humanos são lançados anualmente ao caixote do lixo dos nossos centros hospitalares, como realidades indesejáveis, e que tanta falta vão fazer aos políticos, que se começaram a queixar de que temos um grave problema de natalidade?

Um estado que protege o aborto intencional – que é o mesmo que condenar um ser humano à morte – está a dificultar o crescimento natural da sociedade que governa.

E se o facilita com os seus meios apropriados, protegendo cuidadosamente quem o quer realizar por dá cá aquela palha, aumenta ainda mais a probabilidade de retrair o número de nascimentos necessários para que a sociedade viva de um modo naturalmente equilibrado e possa progredir.

E não só por isso. É que todo o facilitismo e falta de respeito e consideração pela vida humana, transforma-nos numa espécie de animais superiores, que procuram, em primeiro lugar, o seu bem estar centralizado numa vida prazenteira e sem responsabilidades.

Daí também o aplauso pela anti-concepção, que torna a vida sexual humana numa espécie de gozo sem fronteiras, esquecendo o seu natural pendor procriador, e exaltando o seu lado recreativo, que gera a irresponsabilidade, a insensatez e a busca desmesurada do prazer que lhe está associado.

Mas que os nossos políticos estejam preocupados com o problema da natalidade, eis o que é de louvar. Cria boas expectativas. Vamos ver que soluções objectivas vão descobrir para superar este problema nacional tão premente, que, com as leis que aprovaram, se está a agudizar de modo inequívoco


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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12 janeiro 2019