twitter

A narrativa dos "bons resultados"

A geringonça nasceu de forma anómala e depois de uma derrota copiosa. Os neo-socialistas aperceberam-se que iriam ficar irrelevantes na cena política nacional como aconteceu com os seus camaradas em Espanha, na Holanda, no Reino Unido, na Grécia e agora na França. Costa era um político morto. Por isso, não tinha presente e o futuro estaria enterrado.

A vitória eleitoral de Outubro de 2015 sobre toda uma esquerda arrogante e dona pretensiosa das causas sociais, foi uma bofetada à demagogia e um triunfo da realidade. Depois de um período de austeridade severa executada com eficácia por Passos Coelho para tornar o país viável, os neo-socialistas do Rato perceberam que não bastava se arrogarem da sua condição de socialistas e debitarem um discurso vazio e esconso de justiça social, de Estado Social e de serviço público para terem credibilidade e aceitação. Por isso, perderam.

Nunca vi uma comunicação social tão bem amarrada e tão bem controlada por uma máquina de "propaganda tenebrosa", até um pouco isotérica, que vai aceitando com bonomia o funcionamento periclitante de uma geringonça que entontece e anestesia os seus naturais, mas que põe de sobreaviso as instituições internacionais, que não engolem, por imperativos de rigor, "os bons resultados" tão propalados por um primeiro-ministro de poucochinha ambição política, com amnésia activa e possuidor de um cinismo arrepiante.

A narrativa dos "bons resultados", na área económica, consubstanciou-se na manutenção da classificação "acima de lixo", avaliação produzida pela agência de rating canadiana DBRS, a única que nos põe em contacto directo com o financiamento ainda barato do BCE. Os especialistas desta agência de rating atentos às manobras políticas deste governo sabe que o tal défice de 2% do PIB, o menor da democracia, não passou de uma jogada política e económica para tentar enganar os credores com o objectivo de aceder a créditos mais vultuosos e com juros mais baixos. As restantes agências de rating continuam a ser pouco generosas com o desempenho e com as pretensões demasiado optimistas de Costa/Centeno.

Nada adiantaram as cativações no SNS e na Educação. Nada adiantou o recuo táctico do investimento público que o situou, em termos de números, nos anos de 1960. Nada adiantou o PERES, o perdão fiscal, que só beneficiou as grandes empresas nacionais, que fizeram poupanças na ordem dos 35,5 milhões de euros num total de 72 milhões em dívidas e em juros, contrariando as regras da justiça fiscal, em que os mais espertos e os não cumpridores são prendados e beneficiados com medidas que não se ajustam aos cânones de uma democracia que trata por igual todos os cidadãos e todos os contribuintes.

A narrativa dos "bons resultados", na área financeira, consubstanciou-se com a entrega ao desbarato do banco Banif ao Santander, da oferta do Novo Banco ao Fundo "abutre" , assim chamado pelos extremistas de esquerda, à Lone Star, da recapitalização, ou melhor, da semi-privatização da CGD com juros de usura de 10,75% ao ano, ao fecho anormal de balcões e ao despedimento em massa de funcionários. E o luso contente vai engolindo tudo com normalidade!

Há duas perguntas sacramentais que podem fazer-se com toda a legitimidade a este propósito. Como se comportariam os extremistas se fosse o governo de Passos Coelho a fazer tais cortes na Saúde, na Educação e no investimento? O que fez o governo de Costa, até ao momento, para ter "bons resultados"? Na minha perspectiva muito poucochinho ou mesmo coisa nenhuma!


Autor: Armindo Oliveira
DM

DM

10 maio 2017