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A invasão da Ucrânia: onde estão os direitos humanos?

Amargo sabor é o do nosso despertar pela manhã, quando sabemos que num país da Europa, uma potência vizinha não tolera a sua liberdade e, ao que parece, o quer anexar ao seu território, ou, pelo menos, deixar que ele viva com um sistema político que aprove todos os crimes de guerra que está a cometer quotidianamente, destruindo a economia, arruinando muitos edifícios, matando gente indefesa e obrigando mais de um milhão e trezentos mil pacatos habitantes do território assolado, a fugir para outros países que, dum modo heróico e humanitário, os acolhem.

Não se entende que os dirigentes russos, perante a catástrofe que estão a cometer, não tenham o mínimo de vergonha civilizada e apresentem apenas nas comunicações que fazem ao mundo os seus triunfos militares, de quem ninguém duvida, mas que são um ultraje à dignidade humana, na medida em que impõem pela força impiedosa o que não tentam com o diálogo e o respeito.

Putin e os seus sequazes determinaram que a Ucrânia não pode ser o que os seus cidadãos entendem que devem ser: pessoas livre com o direito inalienável de fazer as suas opções fundamentais. Têm de dobrar-se ao poder militar de Moscovo, a fim de que se comportem como a tirania do mais forte entende.

Além disso, o dirigente russo já deu a entender que a Ucrânia é um patamar para outras decisões bélicas que pensa realizar, provavelmente invadindo outros países independentes, mas que não obedecem ou, pelo menos, causam irritação ao líder supremo, porque não navegam nas mesmas águas que ele deseja abarcar.

Parece que Putin não se conformou com o fim da União Soviética e quer transformar de novo a capital russa no centro e na raiz do governo das nações que deixaram de obedecer, no uso da sua liberdade, às determinações que Moscovo entendia ordenar nos tempos dos regimes comunistas.

Ainda por cima, o ditador do Kremlin, no início da invasão da Ucrânia, comentou que este exercício militar se destinava a “desnazificar” o país. No entanto, esta “desnazificação” começou exactamente como a II Grande Guerra Mundial, quando um ditador nazista, chamado Hitler, invadiu a Polónia com a sua supremacia militar. Há muita diferença?

Ninguém duvida que a Rússia pode, com a sua supremacia bélica, tal como o prepotente e inumano chefe alemão referido, invadir, destruir e colocar governos lacaios em países das suas imediações. Mas tudo isto é um acto de força injusta, que não respeita o que os povos entendem escolher.

A Rússia não é a dona da liberdade humana, e, portanto, não deve tomar atitudes ditatoriais que só podem vingar pela autoridade bélica. E esta, segundo as informações recentes ucranianas, já custou vida a um número incontável dos seus cidadãos, independentemente das baixas entre militares. As perdas humanas de soldado russos, segundo as mesmas fontes, são cerca de 9.000. É compreensível, segundo a lógica de uma mente razoável, que se produzam estas desgraças para se alcançar um objectivo tão virulento e cruel, que ninguém é capaz de entender?

Há formas de resolver os problemas entre os países que concordam que todo o homem é um ser livre e que, por pertencer a uma comunidade, pode manifestar através do voto e do diálogo a sua opinião a respeito do tipo de governo e de autoridade soberana a que deve pertencer. Mas quando se obriga um povo e um país, como a Ucrânia, a obedecer, pela submissão militar, à vontade de um líder, os direitos humanos, inalienáveis, são deitados ao caixote do lixo. E este é exactamente a vontade de quem manda pela força e despreza o direito, a liberdade e a vida.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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8 março 2022