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A imagem peregrina continua no Brasil

Vou continuar a referir alguns casos extraordinários na passagem da Imagem Peregrina pelo Brasil, dentre tantos outros que foram, como diz o Cónego Azevedo, testemunho destes acontecimentos, a prova do poder Divino revelado àquelas gentes de fé.

«Como explicar o caso, na altura referido pela imprensa, do desabamento do Cinema Anchieta, em S. Paulo, momentos depois de ter sido evacuado por mais de um milhar de crianças que aí aclamaram Nossa Senhora?»

Um descrente, em Vitória (Espírito Santo), que queria acabar com todas aquelas manifestações de fé, revelou a um seu colega que iria atirar uma pedra ao rosto da Imagem de Nossa Senhora. Foi, de imediato, avisado pelo amigo que tal atitude o levaria a ter o repúdio da população, podendo ser atacado até à morte, mas ele não aceitou os conselhos, afirmando que se escaparia pelo meio da multidão. «Se assim é, diz-lhe o amigo, atira.» Tendo dito isto, afastou-se para “observar melhor o que se ia passar.” Viu, logo a seguir, o colega a deixar cair a pedra ao chão, ajoelhando-se a chorar e perguntou-lhe: «Porque não atiraste a pedra?» Ele respondeu-lhe: «Quando cruzei o olhar com o da Senhora, ao fazer a pontaria, Ela sorriu de tal modo para mim que não me contive mais; quero confessar-me, receber a Comunhão e seguir tão Santa Mãe na Sua jornada.»

Outro caso, relatado pelo Cónego Azevedo que acompanhou a Imagem nestas peregrinações, passado em Conquista, na Baía, que dá para pensar, pois não é fácil explicar à luz da nossa razão: «…ao chegar ali a Imagem de Nossa Senhora, cerca das 19 horas, quando se preparava a procissão de velas, estando já o povo colocado em duas filas, sucedeu rebentar, ao mesmo tempo, 40 dúzias de foguetes que estavam no meio da multidão; o susto foi tão grande que ninguém se moveu; os foguetes, porém, embora estivessem voltados para baixo, todos subiram e, com grande espanto, não se registou qualquer desastre.»

Um rapaz de 26 anos, morador na antiga Favela do Esqueleto, onde, hoje, se encontra a Universidade do Rio de Janeiro, Maracanã, amante e cheio de fervor a Nossa Senhora de Fátima, foi mártir pela sua fé e devoção à Mãe de Deus. «Elpídio António de Melo …comentava com os seus amigos a chegada da Imagem e os milagres que atribuíam à Mãe de Deus.» Um transeunte, atrevidamente, intromete-se na conversa, contestando, com agressividade, tudo o que foi ouvindo da boca do pobre rapaz que tentou convencê-lo, mas nada valeu, pois em troca só recebeu palavras ofensivas, levando Elpídio a calar-se. Mesmo assim, posteriormente, levado pelo seu instinto diabólico, conseguiu que o rapaz saísse de casa, dizendo-lhe que queria falar com ele a sós. Só teve tempo de chegar à rua para que o carrasco lhe desferisse uma punhalada fatal, “rasgando-lhe a carótida”, morrendo, logo a seguir, um jovem admirado e estimado por todos. A própria imprensa que noticiou esta atrocidade, rematou com estas palavras: «Morreu por defender a sua fé cristã.»

No dia 12 de maio de 1953, a Peregrina saiu de Niterói em direção ao Rio de Janeiro num barco da Marinha de Guerra, acompanhada por centenas de pequenos barcos, sendo recebida, como sempre, por um mar de gente que A aclamava com cânticos e orações, no meio do estalejar dos foguetes e do repique dos sinos, das ruas e varandas enfeitadas e tantas outras revelações de fé à Celeste Peregrina. O estádio do Maracanã, em pouco tempo, ficou repleto com cerca de 200.000 pessoas, ficando um número semelhante no seu exterior. Após a colocação da Imagem no altar improvisado, o Cardeal, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota celebrou a Santa Missa pela intenção dos cristãos perseguidos.

Após percorrer, praticamente, todo o Brasil, na hora da despedida, um ilustre escritor, a terminar o seu longo discurso, refere o seguinte: «…No Brasil, como fora dele, e em todas as paragens do seu território, quantas maravilhas da graça, do sobrenatural tornado palpável aos simples mortais! De tal modo que se multiplicaram os milagres, tornados fenómeno vulgar que cada vez impressiona menos pela sua repetição, sobretudo no que se refere a conversões e curas instantâneas de doenças naturalmente incuráveis…

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História; direção artística de Luís Reis Santos, historiador de arte e diretor do Museu Machado de Castro, Coimbra…


Autor: Salvador de Sousa
DM

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22 setembro 2022