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A guerra já chegou até nós?

«Quando todos os homens derem as mãos, não haverá mãos para segurar armas».

— Ziggy Marley —

A guerra já chegou até nós: através do bolso e através do coração.

Os preços sobem imparavelmente. E o coração vai-se partindo inconsolavelmente. Como enfrentar o aumento do custo de vida? E como aguentar este monstruoso desfile de destruição e de morte?

Como suportar tamanha barbárie? Agora, que as trevas se abateram de novo sobre o mundo, voltamos a descobrir o quanto andamos «cansados».

Tudo indica, porém, que se trata de um «cansaço» selectivo.

Parece que só nos «cansamos» de fazer o bem. Já em relação ao mal, aparentemente nenhuma fadiga nos detém.

A cada passo, exibimos uma (encarniçada) obstinação em «fazer mal» e em «fazer o mal».

Daí que já São Paulo tivesse vertido o apelo: «Não vos canseis de fazer o bem» (2Tes 3, 13; cf. Gál 6,9).

E, de facto, há quem não se canse de «fazer o bem». O problema coloca-se em relação a quem não dê sinais de cansaço em «fazer o mal».

Como se não bastasse, não falta – como Isaías notara –quem ao «mal chame bem e ao bem chame mal» (Is 5, 20).

O mais grave é que, parafraseando Xavier Zubiri, até os maldosos se apresentam como bondosos. A própria maldade permite-se «passear» como se fosse bondade.

Insistem os poderosos que as armas servem para dissuadir. E, portanto, para assegurar a paz.

A realidade mostra, contudo, que as armas servem sobretudo – e quase sempre – para usar. E, nessa medida, para desencadear guerras e semear ódios.

A corrida ao armamento não exclui sequer as forças nucleares, com altíssimo potencial de letalidade.

A narrativa oficial é para que nunca sejam usadas. Mas que garantias temos de que tal não aconteça «ad aeternum»?

Só um dos intervenientes do conflito na Ucrânia dispõe de mais de 6 mil ogivas nucleares. E já foi dito que este arsenal terá sido colocado em «alerta máximo». O mundo pode estar tranquilo?

Os refugiados já ultrapassaram um milhão de seres humanos. Mas, se olharmos para os confrontos que gangrenam o mundo, o total ascende a 48 milhões de pessoas deslocadas.

É tempo de parar. É tempo de perceber que todas as guerras se perdem.

É tempo de compreender que, como avisa Mark Knopfler, «só temos um mundo», ainda que muitos mostrem «viver em mundos diferentes».

Por conseguinte, é tempo de concluir – de uma vez para sempre – «que somos tolos em fazer a guerra contra os nossos irmãos».

Sim. Porque os que matam são irmãos dos que morrem. Fará, pois, algum sentido que matem?


Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira
DM

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8 março 2022