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A festa de Nª Srª da Oliveira

A cidade de Guimarães está a celebrar a sua padroeira (Nª Srª da Oliveira) até ao próximo domingo, 15 de agosto, dia maior das festas.

A origem da devoção à Srª. da Oliveira remonta a meados do sec. X, quando Mumadona Dias, dama mais rica e poderosa do noroeste peninsular, tia do rei Ramiro II de Leão, fundou o mosteiro dúplice (frades e freiras) na “quintana de vimaranes”, dedicado a Salvador do Mundo, à Virgem Santa Maria e aos Apóstolos. Entre 1107 e 1110, o mosteiro foi convertido em Colegiada.

Adjacente ao mosteiro, existia o santuário, que mais tarde o conde D. Henrique e sua mulher, D. Teresa, transformou em capela real e aí os condes assistiam aos ofícios divinos, como resulta da Vida de S. Geraldo (Vita Sancti Geraldi), relativamente à expulsão da “Ecclesia Vimaranesi” do militar que vivia em coabitação irregular.

Junto ao santuário de Santa Maria e do terreno limitado pelos muros e adro deste santuário existia o palácio real (palatium regale), onde nasceu o infante Afonso Henriques, em 1106 (ou 1109), sendo batizado na referida capela real.

A designação de Santa Maria de Guimarães esteve em vigor até 1342, altura do milagre da oliveira. Segundo o Livro dos Milagres de Nª Srª da Oliveira, Pedro Esteves, negociante vimaranense, por inspiração divina, terça-feira, 8 de outubro de 1342, colocou uma Cruz, adquirida na Normandia, ao lado de uma oliveira morta (seca), existente no adro da igreja de Santa Maria de Guimarães e, passados três dias, a oliveira reverdeceu miraculosamente.

No “Livro dos Milagres de Nª Srª da Oliveira”, encontram-se registados quarenta e cinco milagres, supostamente ocorridos entre 8 de outubro de 1342 e 27 de março de 1343, portanto, realizados no curtíssimo prazo de meio ano.

O primeiro milagre narrado neste livro é precisamente o respeitante ao milagre da oliveira reverdecida.

A narração destes “milagres” contêm a presença de testemunhas por forma a que, “para além de acrescentarem solenidade ao ato, validam o auto pela sua presença e pelo seu estatuto social, autenticando-o e prestigiando-o”, com o objetivo de assumir foros de verdade (cf. Cristina Célia Fernandes - O Livro dos Milagres da Real Colegiada de Guimarães – Opera Omnia – 2006. Veja-se também o Doutor José Marques e Mons. José Lima de Carvalho, in Colegiada de Nª Srª da Oliveira - História e Património - edição da fábrica da freguesia).

Os livros (coleções) dos milagres apareceram um pouco por toda a Europa com claros propósitos de propaganda, visando atrair peregrinos para o santuário onde eles alegadamente ocorriam.

Estes “milagres”, especialmente o “milagre” da oliveira reverdecida, provocou um grande impacto junto das populações, aumentando consideravelmente o fluxo de romeiros à Vila de Guimarães, de tal modo que a designação de Santuário e Colegiada de Santa Maria de Guimarães passaram a ser designadas por Igreja e Colegiada de Nª Srª da Oliveira.

Vieram ali, em peregrinação devota, todos os reis portugueses da primeira dinastia e grande parte dos da segunda. Peregrino de relevo foi o monarca D. João I que veio a Guimarães em peregrinação, pouco depois da batalha de Aljubarrota (14.08.1385), para a agradecer à Virgem Santa Maria de Guimarães, a proteção e ajuda concedidas pela vitória na batalha. Fernão Lopes, reportando-se à peregrinação do monarca, refere que este fez a romagem a pé, “espaço de 40 léguas”. Camões, nos Lusíadas não se esqueceu de registar esta especial peregrinação (canto IV, est. 45):

Mas, além dos monarcas portugueses, de toda a Península ali ajoelharam senhores de alta linhagem e humildes romeiros de viva devoção. Desde o tempo de Mumadona (sec. X) até ao fim da renascença, foi elevado o número de romeiros que ali deixaram ricas ofertas a Santa Maria de Guimarães, fazendo da Colegiada a mais importante de Portugal.


Autor: Narciso Machado
DM

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9 agosto 2022