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A feliz iniciativa do Papa Francisco

Nos noticiários, um tema não deixa de sair e preenche uma boa parte do tempo que duram: a Guerra na Ucrânia. Para os jornalistas é uma matéria constante e indispensável, pois todo o nosso ouvinte ou telespectador está com a sua atenção fixa no que se passa nessa terra longínqua, que provavelmente conhecerá de modo ligeiro.

O nosso critério de interesse encontra-se afectado por muitos sintomas complicados, que tornam árduas as suas explicações. Contudo, uma guerra é sempre um espectáculo triste e desumano, porque obriga populações a fugir para sítios menos vulneráveis e as mortes e as destruições de tantas e tantas obras que custaram esforço a levantar, levam-nos a pensar que o siso humano nem sempre funciona com normalidade, ou, pelo menos, que quem é mais poderoso pode abater alguém que não lhe agrada, não esperando por tempos melhores e atacando-o com violência desmedida.

No meio de tanta confusão, o interesse por este tipo de informações faz-nos pensar que o seu teor lembra o que, nos meios de informação se considerava, há algumas décadas, não sem algum sentido de humor, como paradigma verdadeira notícia. Não é relevante e, portanto, matéria que suscite interesse informativo, um cão morder um homem, mas um homem... que morde um cão. De facto, sendo a nossa natureza dotada de racionalidade, de voluntariedade e de afectividade, não é fácil compreender que um país como a Rússia decida atacar um seu vizinho mais pequeno e débil, para o obrigar a aceitar os ditames que convém à política dos governantes de Moscovo, nomeadamente ao seu chefe supremo, que surpreende todo o mundo ao decidir invadir e destroçar a Ucrânia. É a lei do mais forte que impera. Não sabemos muito bem se tais objectivos estão a ser conseguidos. Pelo menos, se Putin e os seus seguidores supunham que a guerra da Ucrânia era uma questão arrumada em pouco tempo – um passeio vitorioso e lúdico – sem grandes feridas no seu exército, é de supor que se enganaram redondamente.

Não sei fazer um prognóstico sobre se a luta pode sofrer um rumo diferente. É provável que os meios de informação ocidentais, com alguma excepção que às vezes se nota, aplaudam a resistência ucraniana e condenem, à partida, a acção punitiva dos invasores. No entanto, as medidas de punição tomadas pelos variados países em relação à Rússia, que estão certamente a provocar inconvenientes à sua população e à sua economia, não convenceram o líder do Kremlim a rever a sua atitude, apesar de, não há muito tempo, num órgão de informação desse país, ter saído a notícia da morte de 10.000 soldados dos seus exércitos. Apenas durou três minutos, porque a censura implacável retirou de cena o que, como é óbvio, não convém revelar, a fim de evitar movimentos contrários no seu povo.

Com sabedoria e bom senso, o Papa Francisco, que militarmente não tem poder material, resolveu, no dia 25 deste mês, pedir a todo o mundo – através de Maria Santíssima, na data em que se celebra o aparecimento de S. Gabriel a anunciar-lhe que Deus deseja que ela seja a Mãe da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada –, que se una ao acto de consagração ao seu Imaculado Coração, que fará da Igreja, de nós mesmos e da humanidade inteira, e, de um modo especial, da “Rússia e da Ucrânia”, a fim de que “cesse a guerra” e providencie “ao mundo a paz”.

Esta iniciativa, ainda que política ou militarmente possa parecer estéril, será, com certeza, a mais eficaz para chamar à razão e ao bom senso todos os contentores e lhes mostre que o percurso a seguir não se resolve pela força das armas, mas apenas quando eles se abrem aos caminhos da paz e da justa convivência entre si, apesar da diversidade de opiniões e interesses. Maria Santíssima, Mãe de todos os homens por vontade de Jesus, nosso Redentor, certamente que estenderá o seu manto suave e delicado para trazer a concórdia tão desejada aos filhos desavindos.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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26 março 2022