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A Expo´98, o Campeonato da Europa de Futebol e a Jornada Mundial da Juventude

Em 1998 realizou-se em Lisboa a Expo´98, tendo constituído um evento de referência para a projeção do país e contribuindo para a promoção da cidade de Lisboa, e advindo daí imensas receitas, em diversas áreas da criação da riqueza para o país.

Como é do conhecimento dos portugueses e principalmente da região de Lisboa, onde foi inserida, tratava-se de uma área com solo altamente poluído, uma vez que ali se encontrava instalada uma refinaria de petróleo e outras indústrias fortemente poluentes.

Optou, e bem, o governo ao tempo, por instalar ali a Expo´98, tendo em vista a dimensão do projeto e procurando valorizar e desenvolver para a periferia o urbanismo residencial, comercial e outro. Este caminho foi seguido com investimentos elevadíssimos, principalmente para limpar os solos fortemente poluídos e dar seguimento a um projeto bem idealizado, com visão e inovação, sendo de destacar o grande vulto da Expo´98, António Cardoso e Cunha, que ali desenvolveu um trabalho notável e depois foi afastado injustamente, tendo sido substituído por José Torres Campos. Os portugueses, principalmente a população ora ali colocada, devem olhar para este investimento como uma mais-valia, pois foi cerne para o desenvolvimento da economia portuguesa e para os projetos ali instalados.

Dentro dos grande eventos que projetaram Portugal, tivemos em 2004 o Campeonato da Europa de Futebol, cujo investimento foi assumido integralmente por Portugal, quando devia ser em parceria com outros países, e que originou a construção de diversos estádios, com custos elevadíssimos e que hoje estão com utilização reduzida, trazendo preocupações ao setor público ou autárquico para a sua manutenção e conservação, como são os casos dos estádios de Aveiro, Leiria e Algarve, não considerando aqueles que de momento causam sérias despesas às autarquias ou outras entidades, cuja manutenção é dispendiosa e progressivamente se vão degradando, como acontece com o Estádio 28 de Maio em Braga, inaugurando em 1950.

Alguém ao tempo contestou objetivamente e com sentido pragmático estes grandes projetos desportivos, desajustados e cujos elevados investimentos deviam ser direcionados para criar riqueza em Portugal?

Surge a Jornada Mundial da Juventude, a realizar este ano em 5 e 6 de agosto, com a presença do Papa Francisco, que vai trazer a Portugal entre 1 e 1,5 milhões de pessoas, principalmente jovens, tornando-se ícone de acontecimento para o país, embora de âmbito católico, mas com espírito abrangente ecuménico, com elevado retorno de receita, que se pode situar entre 200/300 milhões de euros.

Para o efeito é preciso fazer um investimento considerável, mas que traz uma grande mais-valia para valorizar e dar incremento à requalificação de uma zona ribeirinha e deixando espaços recuperados, como testemunho para o futuro, que só será avaliado daqui a alguns anos, como aconteceu com a Expo´98.

Discute-se um altar cujo investimento é contestado, não se tendo em conta a mais-valia para o desenvolvimento daquele espaço e que poderá ficar como uma referência monumental a assinalar este evento para as gerações futuras, como aconteceu noutros marcos históricos na Expo´98.

Não se compreende esta posição de determinada comunicação social ou de ideologias adversas à religião católica, que foi e é uma referência ao longo dos séculos, sobretudo a partir do período áureo dos Descobrimentos, não obstante o facto de Portugal ser constitucionalmente laico. Com estes procedimentos, o populismo de ideologias extremistas vai grassando e coloca a democracia em causa, em vez de se pensar em resolver os problemas graves que o país atravessa, sem planeamento temporal e adequado ao futuro das próximas gerações.

É de salientar a grandeza da intervenção de D. Américo Aguiar, com carisma, pragmatismo e humildade adaptada ao evento, assim como a firmeza e a coragem de um grande gestor e político, Carlos Moedas, Presidente da Câmara de Lisboa, que publicamente defendeu a concretização deste projeto, independentemente de eventuais alterações.

É tempo de repensar Portugal e termos pessoas de referência nos lugares políticos, independentemente do arco partidário.


Autor: Bernardo Reis
DM

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1 fevereiro 2023