Estamos a pouco tempo de mais umas eleições Europeias que, no meu entender, serão um verdadeiro desafio no que respeita à participação efetiva de todos os cidadãos europeus.
A Europa vive hoje dias difíceis, avaliando-se a sua força enquanto rede agregadora de objetivos comuns e dignificação da vida humana. Mas é nestas alturas difíceis que se podem encontrar os melhores consensos entre todos e, com isso, reforçar a ideologia de um projeto de excelência e de união.
Mesmo com diferenças é preciso manter o espírito de força e congregação, numa altura em que se erguem muros e a retórica nacionalista voltou a ser badalada.
A visão política cedeu nos últimos anos a uma ideologia economicista, onde os interesses particulares e económicos se sobrepuseram a todos os outros. Juntando a isto o problema que a imigração trouxe, e que parece ninguém querer realmente resolver, os próximos tempos podem ser determinantes para este projeto que idealizava, na sua fundação, a paz comum.
É fundamental e crucial dar uma resposta ativa nas próximas eleições, mostrando que os cidadãos europeus são solidários e europeístas. Mesmo tendo sido dado um cartão “amarelo” nas diversas eleições nacionais por toda a Europa, mostrando o desagrado das populações mediante as políticas e ideologias seguidas nos últimos anos, penso que o fortalecimento deste projeto europeu pode valorizar ainda mais a democracia que queremos para o futuro. Por isso, desejo que a participação nos nossos destinos seja um fator de participação massiva.
Mas há aqui outra variante que se tem destacado nas diversas eleições europeias passadas e que merece uma grande reflexão: a participação jovem nas decisões sobre o seu futuro.
Muitos estudos existem sobre a problemática e da necessidade de cativar os jovens entre os 18 e os 24 anos para o dever cívico do voto.
Há estudos que defendem que, em comparação com gerações passadas, os jovens de hoje passam por um prolongado período de transição para a vida adulta o que, por sua vez, tem implicações para a sua participação cívica.
Cabe nesta altura aos diversos partidos políticos e também às organizações de cidadania passar toda a informação necessária aos jovens sobre o projeto europeu e a importância da sua participação ativa. Mostrando, com números, a força dessa participação os próximos tempos terão que ser, obrigatoriamente, de maior atenção a esta faixa etária por parte dos decisores existentes no centro deste organismo europeu.
Espero uma campanha dos partidos educativa, a lutar pela força europeia, e não a destacar nomes pessoais das estruturas que, não só os jovens não conhecem, como dificilmente nesta altura se identificarão.
Na base destas eleições está, no meu entender, o reforço da União Europeia e não a valorização ou vitória de qualquer partido. Esquecer estes objetivos, ficando-se unicamente em ideais de conquista de lugares e vitórias nacionais pode ser extremamente perigoso e fatal para o futuro europeu que se avizinha.
As organizações comunitárias e não partidárias tudo devem fazer para que a participação dos jovens nas próximas eleições europeias seja crescente. O empoderamento dos jovens começa nestes momentos, onde a sua decisão tem valor e traz resultados. Com uma forte participação será mais fácil, em conjunto com os jovens, exigir que se cumpram todos os objetivos e ideais programados. Sei que é difícil acreditar nisto nesta altura, mas a esperança não acaba e a crença num futuro melhor para todos deverá ser sempre o nosso oxigénio.
Termino a crónica desta semana relembrando um jovem que, nos seus projetos e ações, muito fez para que a juventude bracarense fosse mais feliz. Tive o prazer de partilhar projetos e ações com o João Belchior e custa ver, partir assim, alguém tão dinâmico e participativo. Envio-lhe, onde quer que esteja, um forte abraço!
Autor: Ricardo Sousa
A Europa nas mãos dos jovens!
DM
20 fevereiro 2019