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A demissão da ministra da Saúde e a responsabilidade do PR

A demissão da Ministra da Saúde na madrugada de ontem, apenas foi a consequência do estado deplorável a que chegou o Serviço Nacional de Saúde após quase 7 anos de governos do Partido Socialista com apoio, envergonhado ou não, do PCP e do Bloco de Esquerda.

Nos tempos da troika, chamada após a bancarrota socialista, com as dificuldades financeiras conhecidas e com a economia do país de rastos, o SNS prestou ao povo português um serviço muito melhor do que atualmente presta, onde as tragédias por incúria, por falta de tratamento atempado, por ineficácia dos serviços de saúde acontecem todos os dias.

Esta Ministra da Saúde, uma das governantes mais acarinhadas também pelos partidos comunistas no nosso Parlamento, apontada até como uma das possíveis candidatas à sucessão de António Costa – imagine-se! – geriu, sempre com total apoio do Primeiro Ministro, o SNS de acordo com uma carga ideológica há muito ultrapassada e fracassada.

Nunca, como nos tempos da geringonça e do PS, os privados da saúde ganharam tanto dinheiro uma vez que as pessoas não sendo tratadas pelo SNS têm necessariamente de recorrer a outros meios.

É importante termos em Portugal um Serviço Nacional de Saúde eficiente e eficaz que preste um bom serviço à população mas com técnicas de gestão, ratios de eficiência e com meios financeiros de acordo com o país que temos e de acordo também as nossas possibilidades. Em Braga, fez-se o contrário com o afastamento da gestão privada do hospital público e só aumentaram os problemas.

Nunca será possível com o PS – pelos menos com este PS sócio comunista de António Costa – um política de saúde que olhe para as possibilidades reais que o nosso país tem e que articule o Serviço Nacional de Saúde com o Sistema Nacional de Saúde.

Face às nossas debilidades, à fragilidade das nossas contas públicas, qualquer responsável pela saúde em Portugal terá de conceber a política nacional de saúde através de políticas que organizem a articulação entre todos os agentes de saúde em Portugal, quer sejam privados “stictro sensu”, quer sejam instituições como as Misericórdias, as IPSS, ou entidades da Igreja.

Quais são as consequências da ação destas Ministra? Sofrimento desnecessário das pessoas, tragédias humanas, serviços que deixaram de funcionar, má gestão de hospitais outrora sem tantos problemas, revolta de médicos, enfermeiros e outro pessoal da saúde, emigração, excesso de horas de trabalho com prejuízo da vida familiar dos profissionais, algo nunca visto em Portugal com tanta intensidade numa determinada época.

A demissão da ministra é apenas o corolário da sua incompetência e da carga ideológica com que conduziu a política do seu ministério.

Ainda ontem, médicos de medicina interna, ainda em formação, se revoltaram pelo excesso de horas que passam nas urgências hospitalares, para taparem buracos e ficarem sem tempo para estudarem e evoluírem, já que ainda não são especialistas.

O Presidente da República também não está isento de responsabilidades. Deveria, desde há muito, ter tido uma atitude muito mais vigilante, responsável, exigente para com as desgraças de que os portugueses são vítimas pela condução da política de saúde em Portugal.

A reduzida distância que este Presidente da República, manietado, sem perceber, por António Costa, fez dele também parte do problema, pela consequente omissão da sua ação. Não basta tirar selfies com as pessoas ou mostrar-se pessoalmente solidário com os problemas das pessoas. Tem de ter uma visão do país, perceber para onde o país está a ir e atuar usando os seus poderes constitucionais e de forte influência política.

Então, com as tragédias de vários portugueses que morreram ou tiveram grande sofrimento, quer por falta de tratamento, quer por falta de tratamento adequado e atempado, quer por andarem de hospital em hospital, típico de um país de terceiro mundo, o Presidente da República não exige do governo uma resposta enérgica e eficaz ?

O Presidente da República não dá ouvidos a reputados conhecedores dos problemas da saúde em Portugal, agravados na vigência deste governo, como, por exemplo,o Professor Doutor José Fragata, médico cirurgião e professor universitário que há pouco publicou um livro, após décadas de serviço, intitulado “ A Reforma Necessária do Sistema de Saúde Português”?

Este reputado especialista, conhecedor dos problemas de saúde como ninguém, não hesita em afirmar que “o SNS está preso por ideologia política”.

Realmente não é de aceitar a passividade do Presidente da República face aos problemas de saúde que a população do seu país enfrenta quando uma das caraterísticas que marcam a sua atuação, é estar em todo o lado, falar de tudo e mais alguma coisa e se mostrar muito constrangido com as tragédias mediáticas.

Já é tempo de o Presidente face a um país cada vez mais desgovernado, a governos caraterizados por uma total ausência de reformas e com os portugueses a terem qualidade de vida mais degradada, exercer, de facto, as suas responsabilidades para com a população portuguesa.


Autor: Joaquim Barbosa
DM

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31 agosto 2022