twitter

A atual vaga de refugiados ucranianos e as obrigações de Portugal

Portugal, como país de gente acolhedora, pacífica, generosa e boa, está a acolher refugiados ucranianos que fogem de uma guerra estúpida, perpetrada por um regime despótico e totalitário, cuja intenção é destruir um país e fazer dobrar a espinha dorsal a um povo e a uma nação.

Segundo os dados do SEF, Portugal já concedeu, desde que o início da guerra em Fevereiro, mais de 8. 250 pedidos de proteção temporária a refugiados ucranianos.

Há inclusive uma plataforma no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que agiliza a ultrapassar alguns mecanismos burocráticos para integração mais plena de quem chega desse país em guerra.

Em Portugal, os ucranianos já são mais de 40 mil, sendo uma comunidade plenamente integrada, pacífica, trabalhadora, muitos deles já cidadãos portugueses com muitos descendentes nascidos em Portugal.

A maior parte dos ucranianos residentes em Portugal chegou para trabalhar como resultado da hecatombe social, económica, financeira, do mundo comunista, dominado pela União Soviética, ocorrida nos finais do século passado e que levou a privações e enormes sacrifícios dos povos sujeitos ao regime comunista que, pela sua intensidade, gravidade e privações, fazem comparar a austeridade portuguesa, derivada da governação socialista, a um conto de fadas.

Naquele tempo, nos países de Leste que gravitavam à volta da Rússia comunista, pura e simplesmente não havia comida nas prateleiras dos supermercados, não havia trabalho, a atividade económica colapsou e não havia o mínimo de medidas sociais para apoiar quem quer que fosse.

Foi a grande derrota do comunismo no mundo em toda a sua expansão e do qual apenas sobram regimes ditatoriais de Cuba, Coreia do Norte e resquícios tentaculares na China, Venezuela entre outros.

Naquele tempo, vieram para Portugal muitos ucranianos para trabalhar e muitos só conseguiram arranjar trabalho na construção civil, restaurantes, bares e supermercados.

Muitos destes postos de trabalho na construção civil e na restauração eram ocupados por médicos, engenheiros, professores, funcionários públicos que viam, como hipótese de sobrevivência, trabalhar na construção civil e na restauração a ganhar o salário mínimo.

Muitos portugueses sem escrúpulos, aproveitaram-se destes ucranianos que vieram para um país desconhecido, sem integração, sem reconhecimentos dos seus diplomas académicos e profissionais, sem estarem com a sua documentação em ordem para viverem normalmente em Portugal mas dispostos a tudo para sobreviver e enviar algum dinheiro para as suas famílias.

Houve portugueses que se aproveitaram, sem contemplações, da mão de obra barata que estas condições propiciavam.

A atual vaga de ucranianos, fugidos da guerra, tem um perfil diferente: são mulheres, crianças, idosos, esposas, mães, filhos e filhas, avós que deixaram os seus entes queridos num futuro incerto e que vêm completamente desprotegidos.

É até comovedor como muitos deles, a fugir em condições muito difíceis, não deixarem os seus animais para trás.

Sendo assim, é absolutamente decisivo que o governo português olhe para estas pessoas chegadas a Portugal e lhes conceda um regime rápido de autorização de residência, reconhecimento de diplomas académicos e profissionais de modo a evitar que autênticos abutres se aproveitam das suas fragilidades e se vejam obrigados a trabalhar, havendo outras opções, no que não querem e ganharem ordenados de miséria para encherem ilicitamente de dinheiro bolsos de outros.

Portugal, em relação a estes ucranianos que fogem para não serem mortos, não pode apenas recebê-los, dar-lhes comida, dormida e algum trabalho. Terá também de fazer tudo para a sua rápida integração social em plena vivência como qualquer cidadão europeu no nosso país. Um professor, logo que tenha condições, terá de dar aulas, um médico terá de exercer medicina, um vendedor deverá trabalhar numa atividade comercial, um operário numa fábrica da sua especialidade e por aí fora.

Só assim Portugal cumprirá a sua obrigação na plenitude no acolhimento de um povo que apenas quer aspirar a ter liberdade, democracia e desenvolvimento.


Autor: Joaquim Barbosa
DM

DM

23 março 2022