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Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem

 


 

Estamos na chamada Semana Santa e, certamente, que a Paixão de Jesus Cristo, com todas as suas dificuldades, dores e humilhações, devem ser ponderadas pelo fiel cristão.


 

Jesus não pretendeu, de forma alguma, que todos os seus tormentos, corporais e espirituais, fossem uma espécie de espectáculo que O apresentassem como exemplo a seguir, e, muito menos ainda, que suscitassem em quem os conhecesse uma admiração rotunda pelo seu sofrimento e pela forma de aguentar varonilmente as consequências tão violentas de um condenado à morte. O que O orientou foi sempre a vontade do Pai e o amor profundíssimo por todo o ser humano, que até ao seu sacrifício do Calvário estava privado de experimentar a felicidade máxina de poder entrar no Reino dos Céus.


 

Deste modo, participar nas dores que Jesus suportou com a sua condenação à morte no Monte Calvário, é certamente experimentada por nós dum modo mais vivo e objectivo, quando temos bem presente o que o mesmo Jesus quis e teve de suportar para levar a cabo a redenção de todo o ser humano, que não podia ascender à felicidade por Deus reservada para todos os que, ainda que não isentos de defeitos e fraquezas na vida terrena, conseguem, com a sua conduta alcançar o mérito requerido por Deus para poder participar na sua felicidade por toda a eternidade.


 

Por vezes, somos capazes de sentir uma espécie de desalento, uma consciência incapaz de lutar pelo objectivo que Deus nos propõe, ao termos de enfrentar os custos de uma existência onde a dor e o padecimento não se quadram com a forma como nós pretendemos viver aqui, na existência terrena, que é uma espécie de gota de água minúscula e imperceptível, perante o que nos propõe a nossa imortalidade. Reparemos que uma existência caduca, como a terrena, não nos dá uma felicidade completa, porque acaba e não tem continuidade. Ora, o fim para que Deus nos criou é uma felicidade interminável. Só deste modo é que poderemos ser verdadeiramente ditosos, porque aquilo que alcançamos é um bem absoluto e inextinguivel.


 

Quando enfrentamos a Paixão de Jesus, não podemos apenas ficar impressionados com todos os seus sofrimentos, violentíssimos, altamente dolorosos e também muitíssimo humilhantes, já que a cruz era o destino dos malfeitores e criminosos. O seu comportamento apresentava-se tão reprovável e tão odioso, que apenas a morte pública numa cruz podia, de alguma forma, manifestar o juízo da sociedade onde viveu, que assim manifestava o seu desprezo por aquela pessoa para continuar a viver com os cidadãos pacatos e cumpridores das leis que devia aceitar.


 

Jesus Cristo sabe perfeitamente que a sua condenação não teve nenhum fundamento justo. Ele oferece-Se deste modo para que a sua plena inocência e santidade apaguem, diante de Deus, todas as faltas praticadas por nós, homens, com condutas imperfeitas e pecaminosas. Por esta razão, as suas palavras pronunciadas no alto do Calvário, com as mãos e pés cravados com pregos na Cruz e já muito perto da sua morte, revelam o desejo de que a oferta da sua vida, apesar dos tremendos suplícios a que O sujeitaram, sejam, ao fim e ao cabo, o remédio adequado para a salvação de todos os homens: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Luc 23, 24)…


 

Pe. Rui Rosas

Pe. Rui Rosas

4 abril 2026