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Promessas? Leva-as a eleição!

Após a aprovação do Plano e Orçamento da Câmara Municipal para o corrente ano 2026, os cidadãos bracarenses ficam com duas certezas:

1) Os vereadores sem pelouro (catalogados como “oposição”) não exercem o seu mandato para obstaculizar o exercício de quem, legitimamente, ganhou as eleições. Após a aprovação do Orçamento e também do PDM, o Presidente João Rodrigues fica munido dos instrumentos para mostrar a sua destreza no exercício governativo.

2) Na qualidade de candidato, João Rodrigues assumiu várias promessas, e, agora, na qualidade de presidente, já as deixou cair. Destacam-se as promessas da “Linha Vermelha do BRT” e a da Gratuitidade dos Transportes Públicos.

Em três meses de exercício como Presidente, João Rodrigues ainda alimentou a possibilidade de realizar a Linha Vermelha do BRT, mas, de uma hora para a outra, a uma semana de apresentar o Orçamento para 2026, anunciou a intenção de não concretizar a Linha Vermelha do BRT e anunciou a construção da Circular Externa. Ora, um investimento não inibe o outro, como se de uma troca se tratasse. A Linha Vermelha do BRT já tinha financiamento e a Circular Externa ainda não tem a totalidade dos estudos, logo, não tem a totalidade do projeto e, por isso, não tem a totalidade do orçamento e financiamento que é necessário para a concretizar.

Em período de campanha, o candidato João Rodrigues apelidava os restantes candidatos de irresponsáveis por não alinharem no mesmo diapasão da construção da Linha Vermelha do BRT. Dizia o candidato que estavam em causa 75 milhões de euros que não se podiam desperdiçar e que não podiam ser utilizados em mais iniciativa alguma, porque não havia transferências de projetos.

Em meados de janeiro, o Presidente João Rodrigues diz, afinal, que os 75 milhões de euros são dispensáveis, que a Linha Vermelha do BRT não é importante e diz que as indemnizações por quebra de contrato com as empresas que haviam sido já contratadas para o efeito “hão-de ser pagas”, como se o dinheiro público pudesse ser esbanjado.

Ao fazer tal anúncio, João Rodrigues mudou de opinião, o que é legitimo num exercício de governação; mas ao fazê-lo sem apresentar as consequências que daí advirão, João Rodrigues mudou de princípios, mostrando a falta de conhecimento dos dossiês e a inconsistência com que se apresentou aos seus eleitores.

Em período de campanha, o candidato João Rodrigues dizia que ia tornar gratuitos os TUB para todos os residentes do concelho. Já o presidente João Rodrigues apresentou uma redução de 14% sobre os passes dos TUB. Aos jornalistas, o presidente disse que, em campanha, nunca que se comprometeu com prazos e que esta redução é um passo para atingir a gratuitidade, provavelmente em anos após o término do mandato. O que o presidente se esqueceu é que o candidato, no seu manifesto eleitoral rubricou que o passo seguinte era a gratuitidade e não a redução. Também em campanha, o candidato usou as contas de 2024 dos TUB para estabelecer a intenção da gratuitidade. Ora, o presidente não vai, por certo, usar as contas de 2024 para implementar a gratuitidade em 2029. Mesmo que o presidente, agora em funções, diga que nunca disse quando iria implementar a gratuitidade, o mínimo que se exigiria este ano é que apresentasse um plano plurianual para a alcançar essa meta.

Ao apresentar a redução dos passes dos TUB, João Rodrigues mudou de opinião, o que é legitimo num exercício de governação; mas ao fazê-lo, sem apresentar a previsão da implementação da gratuitidade, João Rodrigues mudou de princípios, mostrando a falta de consideração pelos seus eleitores.

Esta quebra de “contrato” no pós-eleições é um exercício de desonestidade política para com os cidadãos e contribui para agravar a abstenção.

Mudar de opinião é legítimo; mas, em período de campanha, acusar as outras candidaturas de irresponsabilidade e agora, em exercício governativo ir ao encontro das propostas das forças da “oposição” é atestar que, afinal, o candidato da continuidade não era o “mais bem preparado”.

Até esta continuidade parece querer ser esquecida neste pós-eleições, mas é bom lembrar que João Rodrigues e Altino Bessa eram já vereadores do anterior Executivo.

Enquanto candidatos e agora como vereadores do ASB sempre dissemos que a gratuitidade dos TUB não era o caminho para a estratégia da mobilidade em Braga e que o BRT deveria, na sua implementação, prever, desde logo, o futuro com uma transição para o sistema Tram-train.

Ricardo P. Silva

Ricardo P. Silva

5 fevereiro 2026