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As árvores da cidade de Braga (1)

Há um par de anos que silenciei a minha pena sobre a biodiversidade e sobre as árvores. Longe vai o ano de 2016, em que se encerrou, o Projecto PROSEPE (Clubes da Floresta – Universidade de Coimbra), ao qual demos, pro bono, milhares de horas (mais de 20 anos).

Salvo o governo de António Guterres, todos os demais eram, mais ou menos, dominados pelos lobbies da «Floresta» e dos «Incêndios». Assim, os pequenos apoios governamentais, necessários ao funcionamento do Projecto, a nível nacional, eram, quase sempre, boicotados. Havia gente empenhada em travar o Projecto até a nível de Palácio de São Bento.

Boicote era a palavra correcta. Por isso, disse, então, à Ministra da Agricultura e Florestas que havia técnicos nos gabinetes ministeriais que mandavam mais do que alguns secretários de estado.

Um ano depois de se encerrar o Projecto Educativo Extracurricular, florestal, ambiental e de cidadania, mais de uma centena de pessoas foram devoradas pelas chamas. Duas delas nem os ossos restaram.

Porém, a nível autárquico, no distrito de Braga, tivemos os apoios mais ou menos necessários aos encontros distritais, que se traduziram em momentos de crescimento em aprendizagem.

Isto para dizer, que as árvores e as plantas são uma das grandes paixões da minha vida e olho-as, ainda, com mais respeito do que aos animais.

Devido às podas bárbaras que alguns municípios executam nas árvores entro em sofrimento interior. Porém, quando visito cidades como Guimarães, Porto (Jardim de Arca d’Água), Viseu (centro), Cascais ou Lisboa (av.ª da Liberdade) sinto felicidade por ver que as árvores são tratadas com «humanidade» e respeito.

Nos últimos anos, em Braga, o vereador dos espaços verdes, Eng. Altino Bessa, encetou, com sucesso, o caminho de defesa das árvores da cidade e os bracarenses devem-lhe estar gratos, o que nem sempre tem acontecido. 

As árvores passaram a ser tratadas e olhadas, por muitos, como um bem inestimável. Hoje temos melhor qualidade do ar e frescura no Verão, com benefícios para a nossa saúde física e mental e bem-estar, sendo incompreensível a atitude de alguns moradores, aqui ou acolá, pedirem para abater as árvores, muitas vezes, por motivos mesquinhos.

A queda das folhas incomoda alguns no Outono? Mas, as fezes dos cães incomodam-nos todos os dias e temos que as suportar. O comportamento de alguns deixa muito a desejar ou a pôr em risco ou bem-estar de muitos?

As árvores dos espaços urbanos são seres vivos como os demais. Por exemplo, são vítimas da urina dos caninos, causando-lhe imenso sofrimento. 

São de uma generosidade imensa, dando-nos tanto em troca de quase nada. Em tempo de canícula, ao medir-se a qualidade de ar nas cidades, a «Cidade Berço» aparece entre as melhores, com ar mais saudável para os moradores. Guimarães foi «contaminada» pelo amor que o ex-Presidente, Alfredo Magalhães, tem às árvores e os técnicos dos espaços verdes sabem o bem que elas representam para os vimaranenses.

O bom trato dado às árvores pela autarquia vimaranense, tem paralelo na conservação e defesa do casco urbano da cidade. Guimarães defendeu e conservou o casario antigo por ser um bem único. Braga descaracterizou-o ao ponto de turistas globais elogiarem muito Guimarães e dizerem que não gostam de Braga.

Assim, numa pernoita que fiz na «Casa do Casal de Loivos» (Alijó), com jantar multicultural, americanos, ingleses, holandeses e alemães foram-me dizendo que gostavam de Guimarães e de Braga nem por isso. Nem as pérolas da arquidiocese, como a Sé ou o Bom Jesus foram suficientes no contrapor.

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Jorge Lage

29 novembro 2025