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25 anos de atividade artístico-musical

 


 

O Coro da Associação de Pais do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian celebra, no próximo mês de novembro, 25 anos da sua existência. Tem como presidente da direção o advogado José Manuel Meireles e como diretor artístico o maestro António Baptista, de reconhecida competência e empenho, a quem o Conservatório e a cidade muito devem. Sou testemunha do tempo em que, vivendo Braga um verdadeiro deserto musical, o maestro remou contra a maré e muito fez para incrementar e fortalecer a chama da grande música. 

Porque foram inúmeras as viagens e as horas de trabalho para dar corpo a este e a outros projetos, já é tempo de a cidade de Braga reconhecer, de forma pública e oficial, o legado artístico e cultural do referido maestro. Refira-se, a propósito, que foi ele o fundador da Orquestra de Câmara do Distrito de Braga, já lá vão mais de 30 anos. Sou suspeito ao falar disto, dado que, por diversas vezes, a Orquestra e o Coro levaram a cabo excelentes concertos na Igreja Paroquial de Prado, tendo tido até a gentileza de me oferecerem um belíssimo Concerto Coral Sinfónico, no dia 17 de julho de 2018, por altura das minhas bodas de prata sacerdotais. Agora designada simplesmente Orquestra do Distrito de Braga, tem como presidente da direção Carlos Teixeira, mantém António Baptista como seu maestro honorário e é seu diretor artístico o maestro Diogo Costa.

O Coro da Associação de Pais quis dar início à celebração dos seus 25 anos com um Concerto Coral Sinfónico, que aconteceu no dia 28 de junho, na Igreja de S. Paulo, e foi replicado no dia seguinte, na Igreja de S. Victor. Para além do Coro, participou também a Orquestra de Sopros da Escola Artística do referido Conservatório, orientada pelo professor Filipe Silva; a professora Marlene Fernandes, ao órgão; Francisca Silva (Soprano), Beatriz Gomes e Mariza Quintas (Mezzo Sopranos), como solistas. A batuta que tudo orientou foi a do maestro António Baptista.

O Concerto incluiu as obras Laudamus Te, de Antonio Vivaldi (1678-1741); Panis angelicus, de César Frank (1822-1890); Ave verum corpus, de Wolfgand Amadeus Mozart (1756-1791)1; Cantique de Jean Racine, de Gabriel Fauré (1845-1924); Ave Maria, de Tomás Luis de Victoria (1548-1611); e o Hallelujah (Messias), de Georg Friedrich Häendel (1685-1759). A maior parte destas obras, de grande beleza e qualidade, são muito conhecidas e executadas, não estando, contudo, ao alcance de qualquer coro. Fazia parte também do programa a menos conhecida Missa Brevis, do compositor Jacob de Hann, nascido a 28 de março de 1959, em Heerenween, na Holanda.

O compositor Jacob de Hann é autor de uma vasta obra, sobretudo para bandas filarmónicas, privilegiando os instrumentos de sopro e de percussão. Oregon, Sa Música, La Antigua, La Storia, Odilia são algumas das suas composições mais conhecidas. De referir também a marcha Viterbo, possuidora de uma energia e jovialidade que não deixam ninguém indiferente! Quem resiste a não bater o ritmo com o pé e a aclamar a sua execução com uma boa salva de palmas?

No que às Missas diz respeito, são quatro as que compôs. The Gospel Mass é a mais fora do vulgar, o que não admira, tendo em conta este estilo de música2. Mais recolhidas são a Missa Katharina, a Missa Santa Cecilia e a Missa Brevis. Com uma duração de 25 minutos, esta última é uma obra de inegável beleza, sobriedade e espiritualidade. Foi composta a pedido do Conselho para a Música e a Cultura da Alta Alsácia, por ocasião das celebrações dos mil anos de nascimento do Papa Leão IX (1002-1054), daí natural. A sua estreia mundial aconteceu no dia 23 de junho de 2002, sob a direção do próprio compositor. 

Felicitamos o Coro da Associação de Pais do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian e desejamos que a celebração dos 25 anos de atividade artístico-musical torne ainda mais forte e expressivo o projeto a que tem vindo a dar corpo, envolvendo a comunidade educativa e fomentando a cultura musical de Braga, cidade com pergaminhos nesta área. 


 


 

1 Esta obra de 46 compassos e pouco mais de três minutos de duração foi um presente compositor a Anton Stall, Mestre do coro de Baden, onde Mozart ia com frequência visitar a esposa, que aí fazia termas. O Ave Verum Corpus é, depois do Requiem, a obra coral mais querida de Mozart. Estas são, aliás, as suas duas últimas obras sacras, compostas no ano de sua morte. Escrito para o Corpus Christi, foi executado pela primeira vez no dia da festa, em 1791, na igreja paroquial de Baden (Alemanha).

2 O gospel é um género de música que exprime a crença, individual ou comunitária, predominantemente cristã, tendo como tema obrigatório o louvor, a adoração e a gratidão. Os motivos são essencialmente religiosos ou até cerimoniais. É conhecida como a música cristã negra nos Estados Unidos da América.

 

Pe. João Alberto Sousa Correia

Pe. João Alberto Sousa Correia

8 julho 2024